Exclusivo para assinantes UOL

Discurso de Charles de Gaulle contra ocupação nazista na França completa 70 anos

Antonio Jiménez Barca

  • Daniel Joubert/Efe

    O presidente da França, Nicolas Sarkozy, visitará em Londres o local onde o discurso foi feito

    O presidente da França, Nicolas Sarkozy, visitará em Londres o local onde o discurso foi feito

Em 18 de junho de 1940, um general de brigada francês alto, desalinhado e quase desconhecido, vestindo uniforme com quepe e luvas, pegou um táxi londrino para gravar nos estúdios da BBC o discurso mais famoso de sua vida. Quando o técnico de som lhe pediu que dissesse algo, qualquer coisa, para testar o microfone, Charles de Gaulle, então com 49 anos, disse com sua voz retumbante: "La France". Depois, durante dois minutos, fez um emocionante apelo aos franceses para que evitassem o armistício do governo de Pétain e se unissem a ele para continuar lutando contra os alemães: "Haja o que houver, a chama da resistência francesa não deve se apagar, nem se apagará jamais. Amanhã, como hoje, falarei na rádio de Londres". Em 17 de junho, exatamente 70 anos depois desse discurso, a França se dispõe a homenagear o homem que o pronunciou e seu espírito de resistência. Durante semanas sucederam-se a publicação de livros, a emissão de programas especiais, a alusão em revistas e jornais ao velho general, ao seu tempo e a sua herança. Sua figura desajeitada e séria aparece por todo lado, e Nicolas Sarkozy visitará na quinta-feira Londres para lembrar o lugar em que tudo começou. à noite, entre outros atos, Paris brindará sua magnificência e seu porte para uma homenagem pública em um espetáculo de som e luz. Mas o que resta na realidade de De Gaulle na França de 2010? A julgar por uma recente pesquisa publicada há alguns dias por "Le Journal du Dimanche", não muito: 45% dos franceses consideram que o gaullismo, que dominou o cenário político da França durante boa parte da segunda metade do século, é hoje "uma corrente reivindicada por alguns líderes que não quer dizer grande coisa"; 28% afirmam que está "defasado" e só 27% acreditam que "representa ideias importantes".

UOL Cursos Online

Todos os cursos