Maior câmera digital do mundo procura asteróides perigosos

Alicia Rivera

Madri (Espanha)

  • Nasa/EFE

    Imagem do Sol captada por satélite lançado ao espaço em fevereiro de 2010

    Imagem do Sol captada por satélite lançado ao espaço em fevereiro de 2010

Com 1.400 megapixels, a nova câmera Pan-Starrs instalada em um telescópio do Havaí é gigantesca em comparação com as câmeras fotográficas comuns, que têm entre 5 e 15 megapixels. Seus criadores afirmam que se trata da maior câmera digital do mundo. Com esse equipamento, são tiradas cerca de 500 imagens do céu a cada noite de modo automático, e a informação (equivalente a cerca de mil DVDs) é transmitida para o Centro de Computação de Alto Rendimento, na cidade de Maui, para que os computadores as analisem.

A comparação de cada exposição com outras feitas nessa mesma noite, ou em noites anteriores, de uma área do céu permitirá encontrar rapidamente objetos celestes que tenham se movido ou cujo brilho varie. O objetivo é descobrir asteróides, especialmente aqueles que seguem uma trajetória de impacto com a Terra e são potencialmente perigosos.

A câmera está instalada em um telescópio com espelho principal de 1,8 metro de diâmetro. "Embora de tamanho modesto, este telescópio tem tecnologia de ponta, pode fotografar uma área do céu de 40 vezes a de uma lua cheia, o que é muito mais que qualquer outro telescópio desse tamanho em operação, em terra ou no céu", explicou Nick Kaiser, o líder do projeto.

A busca de asteróides potencialmente perigosos não é o único objetivo do programa científico da equipe, integrada por especialistas de uma dezena de instituições dos EUA, Alemanha, Reino Unido e Taiwan e liderada pela Universidade do Havaí em Manoa. Os cientistas calculam que nos próximos três anos, com esse pequeno e moderno observatório, serão descobertos cerca de 100 mil asteróides e se determinará o risco de colisão com a Terra de cada um deles. Além disso, poderão ser catalogadas aproximadamente 500 milhões de galáxias e se realizará um mapa digital exaustivo de 75% do céu visível do Havaí.

No plano focal da Pan-Starrs há um conjunto de 64 x 64 dispositivos CCD, cada um de cerca de 600 x 600 pixels, formando uma área de 40 cm quadrados. Graças a uma tecnologia chamada transferência ortogonal de CCD, o efeito das flutuações da atmosfera é compensado diretamente no plano focal, conseguindo eletronicamente um efeito semelhante ao da óptica adaptativa dos telescópios modernos, nos quais o espelho se move para fazer essa compensação.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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