Latino-americanos estão otimistas com futuro do continente; Brasil lidera alta

Fernando Gualdoni

Em Madri (Espanha)

  • Stephane de Sakutin/AFP

    Torcedor ergue bandeira do Brasil na estreia da seleção na Copa do Mundo

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A imagem dos EUA melhora muito na Ibero-América, segundo o Latinobarómetro.

A última pesquisa do Latinobarómetro com mais de 20.200 pessoas em 18 países da América Latina demonstra com cifras o maior otimismo que se percebe na região em geral. Sem esquecer a pobreza, a desigualdade, a corrupção e a violência como principais males endêmicos da região, os latino-americanos veem melhor a si mesmos, a seus países e ao mundo do que há mais de cinco anos. A atual crise econômica, além disso, reforçou o papel do Estado. Hoje há mais pessoas que acreditam que o bem-estar da maioria depende do poder de gestão dos governos.

Os brasileiros, seguindo a tendência dos últimos anos, são os que mais creem que suas vidas e a de suas famílias progrediram e que seu país vai no rumo certo. Os chilenos ficam logo atrás e estão entre os mais equilibrados na hora de avaliar positivamente a marcha de suas vidas, a de sua sociedade e do mundo. Pelo contrário, os argentinos são os que menos têm fé no futuro de seu país. Mas individualmente estão convencidos de que seguem na direção certa. "Na Argentina é possível crer que uma coisa é a sociedade e cada um, e outra é a maneira como o país funciona", dizem os pesquisadores. "Ao que parece os argentinos acreditam nessa separação, o que torna possível que o país se recupere de suas crises graças ao esforço individual, mais que coletivo." A pesquisa definitivamente confirma o divórcio entre a mensagem dos governantes e a confiança do cidadão comum na Argentina, a terceira economia da região.

A melhora da imagem dos EUA depois da era Bush e o efeito Obama são patentes. O Latinobarómetro mostra que a imagem positiva do gigante norte-americano alcança 74%, a mais alta desde que começou a ser medida, em 1997. A mais baixa foi 55% em 2003, ano em que começou a guerra do Iraque. Quanto maior a idade, menor a opinião positiva sobre Washington: enquanto 67% dos jovens têm boa opinião, esta alcança só 55% entre os maiores de 60 anos. Quanto maior a educação maior a boa opinião dos EUA: 70% entre os que têm educação básica para 76% entre os que têm educação superior.

A Espanha é o país que melhor imagem tem, atrás dos EUA, e em terceiro lugar está o Japão. "É interessante a pequena distância que existe entre a avaliação da Espanha e a do Japão, pois na frente do primeiro país nos une uma história comum para toda a região, enquanto com o segundo há laços frouxos, além dos comerciais", salienta o informe. "Isto indica que a imagem desses países não se baseia na história, mas no presente e em suas circunstâncias. Isto é corroborado pelas perguntas feitas sobre os bicentenários da independência que se comemoram este ano em vários países da região, onde vimos que estes não representam um papel importante", acrescenta. Outras duas coisas que se destacam na pesquisa: a China goza da mesma popularidade que o Canadá (58%). E Cuba tem a imagem menos positiva: só 40% na região qualificam a ilha positivamente.

A disputa ideológica que a Venezuela trava com os EUA para ganhar influência na região não poderia ficar à margem da pesquisa. Pelas entrevistas se conclui que, exceto na Argentina e no Paraguai, nos demais países da região a maioria arrasadora declara que os EUA têm uma influência positiva. Pelo contrário, somente há dois países cujos cidadãos declararam que a Venezuela tem uma influência positiva na América Latina: os próprios venezuelanos, com 54%, e a República Dominicana, com 66%.

Perguntou-se aos latino-americanos também sobre os processos de integração regional, tanto econômicos como políticos. Em nenhum país se apoia mais a integração política que a econômica, o que demonstra que na região ainda pesam mais os interesses comerciais que o ideal de criar uma comunidade social e institucional como a que sonhou o libertador Simón Bolívar. No entanto, no Brasil e na Argentina, grandes promotores da integração regional, a distância entre as duas variáveis é pequena. E segundo os pesquisadores isso demonstra que a mensagem de união calou na população.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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