Torcedores fazem fila em Madri para tirar foto com réplica do troféu da Copa do Mundo

Pablo de Llano

Em Madri (Espanha)

  • Emilio Morenatti/AP

    Primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, levanta o troféu da Copa do Mundo - o verdadeiro - junto com a seleção campeã, em Madri, na recepção feita em 12 de julho

    Primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, levanta o troféu da Copa do Mundo - o verdadeiro - junto com a seleção campeã, em Madri, na recepção feita em 12 de julho

"As linhas surgem da base e se elevam em espirais até encontrar o mundo. Dessas excepcionais tensões dinâmicas que ocorrem no corpo compacto da escultura, brotam as figuras de dois atletas no momento culminante da vitória."

A descrição que Silvio Gazzaniga, o escultor da Copa do Mundo nos anos 1970, fez de sua obra foi solene, de um tom mais fino, mais conceitual que as boas-vindas que dava na quinta-feira uma recepcionista aos torcedores diante da réplica do troféu que a seleção espanhola ganhou.

"Venha por favor, senhora, vá passando." "O seguinte." "A câmera está pronta?"

As pessoas passavam sem reclamar, faziam a foto e saíam logo para deixar o lugar a quem viesse depois. Algumas tentavam passar um pequeno instante com ela, mas se chocavam com a mecânica estrita da visita.

"Podemos fazer uma foto cada um e depois os dois juntos?"

"Não, não, é por grupo."

Era preciso fazer tudo depressa. A Federação Espanhola de Futebol levou a réplica da Copa do Mundo para a Real Casa de Correios, sede central da Comunidade de Madri, onde continuará hoje, o último dia. Formou-se uma fila notável diante da entrada, do lado esquerdo do edifício, que se estendia por 150 metros nas ruelas traseiras.

Entre as 9h30 e as 20h30 passaram por lá cerca de 7 mil pessoas ainda apaixonadas por um acontecimento do qual nestas alturas não resta nenhum rastro nas ruas. A poucos metros da fila, na Porta do Sol, via-se apenas um vestígio do que aconteceu há 12 dias: um cinturão de couro amarrado à pata esquerda do cavalo da estátua de Carlos 3º, a cerca de 5 metros - a altura da euforia.

Demorava-se uma hora para entrar para ver no pátio interno a jóia da coroa, ou melhor, a cópia da jóia, porque a Fifa é proprietária exclusiva do troféu original. A boa, que Iker Casillas levantou em 11 de julho em Joanesburgo, pesa 6 quilos, cinco deles de ouro 18 quilates; o outro quilo, por ser delicado, é de latão banhado a ouro. Até parece menor vista de perto, mas talvez isso se deva ao fato de que quando se vê uma imagem de jogadores levantando esta taça tende-se a ressaltar tudo, principalmente sendo da sua seleção.

Um menino de 14 anos se ofereceu para contar as diferenças entre as duas taças. Álvaro Sánchez falava com gravidade, consciente da importância do momento: "Como você sabe, é uma réplica com uma fina capa de ouro. Esta pesa 4 quilos; a outra, 6, mas é a que ficou para nós." O rapaz sabia tudo. "É que sou espanhol, e essas coisas devemos saber", dizia orgulhoso, tão confiante quanto Vicente del Bosque em uma entrevista coletiva.

Mas ninguém estava ali para medir a pureza da taça, encerrada em uma vitrine de acrílico, nem para observá-la com cuidado, e sim para posar, colocar-se ao lado da copa, sorrir (alguns faziam um gesto exagerado devido às circunstâncias: "Eu aqui, meu Deus, com a Copa do Mundo..."), tirar a foto e depois, já fora da fila, parar para admirar a imagem. É que na realidade ninguém olhava a copa, mas a cópia da cópia, quer dizer, a imagem que acabavam de conseguir em um processo de posar e tirar o instantâneo.

Mas o que acontecia quando alguém ficava insatisfeito com o resultado?

"Olhe, você cortou meus pés, pode fazer outra foto?", disse um torcedor ao rapaz que pegava as câmeras das pessoas e as fotografava.

"Cavalheiro, o importante é a copa", respondeu o fotógrafo, que ficou balbuciando, depois de tirar a milésima foto: "Cortou meus pés... cortou meus pés..."

A cerimônia se baseava na foto, mas havia outra atividade que as pessoas apreciavam muito: assinar em um livro de agradecimento aos jogadores e lhes dizer tudo o que gostariam e não podiam, porque os rapazes já estão longe, cada um em seu pedacinho de praia. "Sempre com a Espanha do Equador", lia-se em uma assinatura. "Quero sair para comemorar com vocês", dizia outra, acompanhada de um número de telefone.

Uma das legendas era formal e agradecia de coração, muito comovida... "Obrigado Espanha por trazer a Copa do Mundo de parte de toda a minha família Molocho Arango. Especial de meu pai Alejandro, irmão Luis Alberto e de meu sobrinho, Luis Alonso Molocho Aponte."


 

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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