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A sombra de Lula marca a escolha do novo presidente no Brasil

  • Nelson Almeida/UOL

    Serra e Dilma se encontram em estúdio para debate

    Serra e Dilma se encontram em estúdio para debate

As eleições de outubro serão as primeiras que Lula da Silva não disputará desde que a democracia voltou ao Brasil, nos anos 1980. Sua longa sombra está marcando, assim, a campanha eleitoral que na quinta-feira deu mais um passo com o primeiro debate na televisão entre quatro dos nove candidatos, e que se reduziu a um "mano a mano" entre os dois favoritos: Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula, e José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso. Não trataram dos temas mais espinhosos - corrupção, insegurança, aborto, casamento homossexual -, passaram ao largo dos desafios internacionais da nova potência e só se enfrentaram em assuntos como impostos e programas sociais, enquanto tentavam se desqualificar por velhos episódios de suas respectivas formações. Rousseff mostrou-se menos segura, apesar de levar a dianteira nas pesquisas (com uma vantagem de 10%), contra um Serra com mais serenidade. Não houve um vencedor claro no que é apenas o início de uma longa batalha que ganhará quem souber convencer que saberá administrar melhor o legado de Lula. Apesar de ter sido durante os dois mandatos de FHC (1995-2002) que o Brasil, com seus mais de 190 milhões de habitantes, conseguiu domar a inflação e criar condições para que aumentassem os créditos, investimentos e postos de trabalho, foram as duas legislaturas de Lula (desde 2003) que colheram e aumentaram os frutos de seu enorme crescimento. O mais relevante da saudável marcha da economia é que não beneficiou só as classes poderosas. As estatísticas coincidem em assinalar que há menos pobres (uma redução de 20 milhões entre 2003 e 2008) em um país que se transformou em um dos novos líderes do mundo globalizado, o que aumentou a auto-estima da população. O desafio do sucessor de Lula é garantir suas conquistas e criar as condições para que o Brasil continue crescendo quando as circunstâncias mudarem. Como candidata de Lula, Rousseff arranca com vantagem diante de um eleitorado que quer continuidade. Mas Serra é um rival duro em uma batalha que revela a maturidade da democracia brasileira contra o populismo de esquerda de alguns regimes próximos. Resta o mais difícil: seduzir para que se envolvam em política os que, na quinta-feira, preferiram o futebol ao debate.

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