França pede que UE sancione o Irã por condenar mulher a morrer apedrejada

Ana Teruel

Em Paris (França)

  • AP

    Sakineh Mohammadi Ashtiani, mãe de 43 anos, que supostamente confessou o adultério e cumplicidade no assassinato de seu marido, deve morrer a pedradas, segundo a lei islâmica

    Sakineh Mohammadi Ashtiani, mãe de 43 anos, que supostamente confessou o adultério e cumplicidade no assassinato de seu marido, deve morrer a pedradas, segundo a lei islâmica

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, enviou na sexta-feira uma carta à alta representante para Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, na qual defende uma posição comum de firmeza e sugere a possibilidade de adotar sanções contra o Irã para evitar o apedrejamento de Sakineh Mohammadi Asthiani, condenada em Teerã por adultério e cumplicidade no assassinato de seu marido.

O ministro, que já havia dito que a França não pouparia esforços para salvar essa mãe de 43 anos de uma "morte atroz", propõe que o tema seja debatido no próximo encontro com seus homólogos europeus, previsto para 10 e 11 de setembro. "Uma carta comum de todos os países membros às autoridades iranianas se transformou em algo necessário, se quisermos salvar essa jovem mulher", cuja condenação a morrer apedrejada "indignou todos aqueles que na Europa não se resignam à barbárie", escreve Kouchner em sua carta enviada à chefe da diplomacia europeia.

"É preciso comprometer a União em novas iniciativas para lembrar às autoridades iranianas que, assim como na questão nuclear, sua atitude de isolamento e encerramento tem um preço, que pode evitar quando optar por um comportamento mais responsável, conforme seus compromissos internacionais em termos de direitos humanos", acrescenta.

Para fixar essa posição comum, que deve ser acompanhada de "novas medidas", o ministro propõe que a sorte de Ashtiani e de modo mais geral o respeito aos direitos humanos no Irã sejam debatidos no próximo encontro com seus homólogos dos 27, previsto para os próximos dias 10 e 11.

"Infelizmente, o caso da senhora Ashtiani não é o único", lembra na carta. "Há mais de um ano, milhares de pessoas - presas, encarceradas, torturadas, algumas inclusive executadas - pagaram caro por exercer seus direitos mais elementares: manifestar-se, comunicar-se, expressar-se", indica, referindo-se à repressão que acompanhou a controversa reeleição de Mahmud Ahmadinejad nas presidenciais de junho do ano passado.

A França, partidária da linha-dura contra o Irã na questão nuclear, já havia manifestado diversas vezes sua vontade de fazer o possível para evitar a lapidação (outro nome dessa pena capital) de Ashtiani. Nesta quarta-feira, em seu discurso de abertura na Conferência dos Embaixadores em Paris, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, chegou a declarar que a França considera sua a "responsabilidade" pela iraniana, transformada em um símbolo da opressão do povo por parte de Teerã. "O regime exerce seu controle pela repressão e recorre maciçamente às execuções capitais, incluindo na forma mais medieval, o apedrejamento", acrescentou então o presidente.

A sorte dessa mãe de dois filhos comoveu a opinião pública do Ocidente desde o início do verão, quando a Campanha Internacional pelos Direitos Humanos alertou sobre sua situação. Na França, a petição de apoio a Sakineh Ashtiani, promovida pelo filósofo Bernard Henri-Lévy, foi assinada por diversos intelectuais, artistas e políticos, incluindo os ex-presidentes Jacques Chirac e Valéry Giscard d'Estaing e a ex-candidata socialista Ségolène Royal. Em uma tribuna publicada esta semana pelo jornal "Libération" e que faz parte dessa iniciativa, a primeira-dama Carla Bruni-Sarkozy afirmou que seu marido trabalha "sem descanso" nesse caso.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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