Após férias, Obama enfrenta a guerra no Afeganistão, a saída do Iraque e a paz no Oriente Médio

David Alandete
Em Washington (EUA)

  • Jewel Samad/AFP

    Obama e sua família chegaram em Washington no domingo (29) após passarem as férias em Martha's Vineyard, no Estado de Massachusetts

    Obama e sua família chegaram em Washington no domingo (29) após passarem as férias em Martha's Vineyard, no Estado de Massachusetts

O presidente dos EUA, Barack Obama, terminou suas férias esta semana retomando duas de suas mais importantes gestões em termos de política internacional. De um lado, haverá o fim definitivo e formal das operações de combate americanas no Iraque, o que Obama vai comemorar dando as boas-vindas no Texas às últimas tropas que voltam para casa.

Além disso, o presidente deve preparar na quarta-feira a volta às negociações de paz entre árabes e israelenses, com vários encontros na Casa Branca com o primeiro-ministro israelense, Benjamim Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmud Abbas. Na quinta-feira será retomado o processo de paz.

Na noite de terça, Obama se dirigirá ao vivo à nação do Salão Oval, pela segunda vez em sua presidência. Ele já o fez em 15 de junho, para garantir à população que terminaria rapidamente com o vazamento descontrolado de petróleo da BP, que ameaçava seriamente o ecossistema e a economia do golfo do México.

O presidente viajará antes a Fort Bliss, no Texas, onde dará as boas-vindas a um batalhão de soldados da 1ª Brigada de Combate da Primeira Divisão Blindada, que voltou do Iraque nas últimas semanas. Deles, 1.200 ficaram naquele país, como parte das 50 mil tropas que permanecerão para trabalhos de treinamento das forças iraquianas.

O presidente cumpriu sua promessa eleitoral de ordenar o fim das operações de combate no Iraque. Mesmo assim, aceitou, por sugestão de seu secretário da Defesa, Robert Gates, ampliar o prazo em que as tropas deveriam abandonar o país, de 16 para 19 meses depois de sua posse. Não foi a única concessão diante das exigências do Pentágono: em dezembro aceitou reforçar a missão de guerra no Afeganistão em 30 mil soldados. Atualmente restam naquele país 96 mil soldados americanos.

Sua presidência foi a primeira em que um democrata manteve em seu posto o secretário da Defesa de um antecessor republicano, como foi George W. Bush. Além disso, em junho Obama encarregou David Petraeus da gestão da guerra do Afeganistão. Esse general havia orquestrado anteriormente, a pedido do próprio Bush, o reforço de tropas na guerra do Iraque de 2007, coisa que os generais do Pentágono identificam como a principal causa que permitiu a retirada definitiva este mês. Obama não só autorizou um rearmamento no Afeganistão. A pedido dos líderes democratas no Congresso, marcou uma data para o início da retirada das tropas também daquele país: o verão do próximo ano. Vários generais, incluindo o próprio Petraeus, pediram que o presidente considere essa data como tentativa, para poder dar mais margem de manobra ao Pentágono em sua guerra contra os insurgentes islâmicos.

Na quarta-feira, Netanyahu e Abbas virão a Washington, onde manterão separadamente reuniões com Obama, para depois participar de forma conjunta de um jantar. Essa será a antessala oficial do reinício das negociações do processo de paz, que terão lugar na quinta-feira com uma reunião entre os dois líderes. Washington espera que essas negociações levem à criação de um Estado palestino no Oriente Médio, depois das tentativas de Oslo em 1993, Camp David em 2000, o Mapa do Caminho de 2003 e Annapolis em 2007.

Em três semanas acaba a moratória que Netanyahu impôs à construção de novos assentamentos na Cisjordânia, uma decisão que tomou para tentar que os líderes palestinos aceitassem retomar as negociações. Nos últimos meses as relações entre Tel Aviv e Washington passaram por alguns de seus momentos mais tensos, por causa de diversos incidentes diplomáticos provocados pelo anúncio de Israel, em março, de que construiria 1.700 moradias em Jerusalém Leste, em um bairro construído sobre território ocupado em 1967. O governo israelense fez aquele anúncio justamente quando o vice-presidente americano, Joe Biden, visitava o país.

Os democratas enfrentarão em novembro eleições nas quais serão renovados um terço do Senado e a totalidade da Câmara de Deputados. Muitos deles esperam que um sucesso diplomático de Obama lhes dê um impulso nas pesquisas. No entanto, a secretária de Estado, Hillary Clinton, que estará presente nas negociações, tentou manter as expectativas baixas. "Houve problemas no passado e haverá problemas no futuro. Encontraremos mais obstáculos", disse ao anunciar a retomada das conversações, há duas semanas.

Daqui a dois sábados se realiza também o nono aniversário dos atentados terroristas contra Washington e Nova York, nos quais morreram 2.977 cidadãos. Este ano os atos em homenagem às vítimas serão acompanhados da polêmica provocada pela construção de um centro islâmico, com uma mesquita, próximo do marco zero. Obama manifestou seu apoio à liberdade de seus promotores de construir esse centro, apesar da oposição frontal da direita e da maioria dos nova-iorquinos.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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