O verão com menos mortes nas estradas espanholas em 50 anos

Patricia R. Blanco

Em Madri (Espanha)

É preciso remontar a 1962 para encontrar números de acidentes nas estradas espanholas semelhantes aos deste verão. Entre 1º de julho e a meia-noite de 31 de agosto, perderam a vida em acidentes rodoviários 364 pessoas, 16 a menos que no mesmo período do ano passado, segundo expôs na quarta-feira o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, ao apresentar o balanço da Operação Verão. Além disso, 1.671 pessoas ficaram gravemente feridas, contra 1.941 em 2009. Em dois meses 364 pessoas morreram, 16 a menos que em 2009. Caiu também o número de deslocamentos.

O resultado representa uma redução de mortos de 4,2%, uma queda menor que a do ano passado, de 15%, "porque cada vez a margem de redução é menor" defendeu-se Rubalcaba. Não obstante, o número deve ser observado em termos absolutos, segundo o ministro, tanto "para ver a tragédia" em si - "364 mortos devem continuar nos preocupando" -, como "a tragédia que evitamos: 481 mortos a menos em uma década", em comparação com as 845 vítimas do verão de 2001.

Com o balanço dos primeiros oito meses do ano nas mãos, que reflete uma queda de 195 mortos, Rubalcaba previu na quarta-feira "um 2010 melhor que 2009". O titular do Interior se deteve especialmente na cifra de acidentes do mês de agosto, quando foram registradas 188 vítimas fatais. Segundo ele, é "a primeira vez na história da Espanha" desde que existem estatísticas que agosto termina com menos de 200 mortos nas estradas.

Mas se o número de mortos baixou também se reduziram os longos deslocamentos. Entre julho e agosto, 83 milhões de veículos realizaram viagens de mais de 100 quilômetros pelas estradas espanholas, 3,3% a menos que em 2009 e 3,2 milhões a menos que os previstos pela Direção Geral de Tráfego (DGT). Segundo o ministro, essa redução, que ele não se atreveu a atribuir à crise, não foi a causa da diminuição das vítimas mortais, já que em 2008 houve o mesmo número de deslocamentos, com 83 mortos a mais.

O balanço da Operação Verão, contudo, apresenta um resultado que preocupa Rubalcaba: o aumento do número de menores mortos, de 12 em 2009 para 23 neste verão, dos quais 43% não usavam cintos de segurança. É exatamente o uso do cinto, junto com a velocidade e o álcool, a prioridade da DGT para continuar reduzindo os acidentes nas estradas.

Rubalcaba insistiu na quarta-feira nos bons resultados da política de segurança viária. "O pior dia da história das estradas espanholas foi 8 de agosto de 1993, com 39 mortos. Eu não me lembro, não houve polêmica, e era porta-voz do governo", afirmou o ministro, mas que lembrava bem o pior de 2010: 28 de agosto, com 14 mortos.
 

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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