15/04/2004

Bienal do Livro de São Paulo é inaugurada sob o signo da mulher



Juan Arias
No Rio de Janeiro


Uma mulher, a escritora de literatura infantil e juvenil Lygia Bojunga, vai inaugurar nesta quinta-feira (15/04) a 18ª Bienal do Livro de São Paulo. Bojunga acaba de honrar o Brasil com o prêmio Astrid Lindgren Memorial Award (Alma), concedido pelo governo sueco ao conjunto de sua obra. Também foi a primeira brasileira a receber o Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil. A feira, que se realiza no Centro de Exposições Imigrantes, termina no próximo dia 25.

São Paulo e Rio de Janeiro rivalizam em tudo, especialmente em suas bienais do livro. O Rio é mais feminino, mais artístico, mais preguiçoso, e São Paulo, mais masculino, mais empresarial, mais ativo.

Mas, desta vez, a capital industrial do país se contagiou pela rival e centralizou sua Bienal - que abriga 320 expositores com 830 títulos em 45 mil m2, e espera receber cerca de um milhão de visitantes - em três escritoras de primeiro plano cujo nome começa por L, uma letra que, como escreveu Cecilia Costa, romancista e diretora de "Prosa e Verso", o caderno de cultura semanal do jornal "O Globo", nos lembra o livro, as letras, a literatura e a liberdade.

É que além de Lygia Bojunga outras duas estrelas da bienal são Lya Luft, que com seu best-seller "Perdas e Ganhos", no qual com forte estilo poético conta sua história de mulher que envelhece sem raiva, está vendendo 5 mil exemplares por dia, e a consagrada escritora Lygia Fagundes Telles, que este ano lança "Meus Contos Preferidos" (Rocco).

Acontecimento cultural

Como em anos anteriores, a Bienal, além de ser uma grande vitrine de obras, uma imensa livraria, será também um grande acontecimento cultural, com 21 conferências dedicadas à educação, 30 sobre o tema da universidade e sociedade, e os já tradicionais debates entre autores e público no chamado Café Literário. Uma das novidades este ano será o espaço de 300 metros quadrados dedicado às crianças, que até 12 anos terão ingresso gratuito.

Segundo Oswaldo Siciliano, novo presidente da Câmara Brasileira do Livro, e os organizadores Paulo Rocco, da Record, e Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras - que chega à Bienal com o novo romance de José Saramago -, apesar de desta vez não ter sido convidada nenhuma estrela internacional, espera-se que a Bienal seja um sucesso, sobretudo porque se inaugura num momento em que, depois de um ano ruim para o setor editorial, começam-se a vislumbrar novas perspectivas positivas para o livro no Brasil.

São Paulo, a terceira maior urbe do mundo, com 16 milhões de habitantes, celebra este ano o 450º aniversário de sua fundação, e esse evento estará muito presente em uma série de conferências e debates histórico-culturais.


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Visite o site do El Pais



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