UOL Mídia GlobalUOL Mídia Global
UOL BUSCA

RECEBA O BOLETIM
UOL MÍDIA GLOBAL


11/12/2006
Caos nos aeroportos expõe deficiências da infra-estrutura brasileira

Jonathan Wheatley
Em São Paulo


Três semanas antes de o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, dar início ao seu segundo mandato de quatro anos, os acontecimentos ocorridos nos últimos dias indicam que ele enfrenta sérios obstáculos para a sua meta de reativar a economia, gerando um crescimento sustentável e mais rápido.

Uma derrota humilhante no Congresso revela que o desafio de construir uma aliança de trabalho entre os seus parceiros de coalizão poderá ser mais difícil de superar agora do que no início do seu primeiro mandato.

Dois meses de caos nos aeroportos do país, que quase culminaram com a suspensão do controle de tráfego aéreo na semana passada, servem como um lembrete das necessidades urgentes de investimento em infra-estrutura - e também, dizem os críticos, dos repetidos fracassos deste governo.

A crise, que teve início com um acidente aéreo em setembro que provocou a morte de 154 pessoas, provocou a seguir a suspensão de dez controladores de tráfego aéreo e, sob crescente pressão, os colegas desses profissionais deram início a uma operação-padrão em meados de outubro. O efeito indireto dos atrasos resultantes deixou milhares de passageiros aguardando pelos seus vôos nos aeroportos. Na semana passada, três aeroportos brasileiros ficaram fechados durante várias horas depois que um erro de manutenção provocou a interrupção das comunicações do controle de tráfego aéreo.

"Lula diz que deseja que a economia cresça 5% ao ano", diz Fernando Gabeira, congressista pelo Partido Verde, que faz parte da coalizão do presidente. "Isso é algo típico da esquerda, sonhar com uma meta e depois descobrir como alcançá-la. Mas o blecaute da aviação demonstra novamente que a infraestrutura do país não está pronta para o crescimento".

O caos revelou deficiências no que diz respeito a equipamentos e a gerenciamento. Autoridades graduadas, incluindo o ministro da Defesa, a quem os funcionários do setor de aviação civil estão subordinados, deverão perder os seus cargos.

Mas Lula da Silva, aparentemente temendo o custo político, se distanciou da crise, de forma semelhante ao que fez durante os escândalos de corrupção envolvendo assessores próximos a ele, durante o seu primeiro mandato.

"Lula está, como sempre, se fingindo de morto", critica Luciano Dias, consultor político de Brasília.

Lula da Silva assumiu ele mesmo a difícil tarefa de criar alianças com membros do futuro Congresso, um trabalho geralmente reservado a um assessor graduado. No início do mandato que agora se aproxima do fim, essa responsabilidade coube a José Dirceu, um dos mais antigos amigos e mais próximos aliados políticos do presidente. Dirceu foi expulso do Congresso por ter liderado aquilo que o procurador-geral descreveu como "uma sofisticada organização criminosa" que supostamente pagava propinas a parlamentares em troca de apoio.

Lula da Silva parecia ter começado bem quando recentemente chegou a um acordo com a ala da oposição do PMDB, um conglomerado confuso de interesses regionais que se constitui no maior partido político no Congresso.

Mas o acordo fracassou no seu primeiro teste na última quarta-feira, quando os parlamentares votaram para designar um cargo vitalício no comitê de contas públicas - uma posição cobiçada, que proporciona ao seu detentor várias viagens de primeira classe ao exterior, geralmente reservada aos legisladores veteranos que se aproximam do final das suas carreiras.

O PT, o partido de esquerda do presidente, no entanto, tentou impor o seu próprio candidato. Em parte por se revoltarem com aquilo que viram como a arrogância do PT, e em parte para demonstrar que não abririam mão dos melhores cargos, dezenas de membros do PMDB votaram com a oposição em uma eleição secreta, e o candidato do PT foi derrotado.

Uma maioria funcional no Congresso é um pré-requisito para que o presidente concretize a sua ambição de gerar um crescimento econômico de pelo menos 5% ao ano - o dobro da média que prevaleceu nos últimos 15 anos.

Os economistas concordam que um crescimento mais rápido exigiria amplas reformas no setor fiscal e em outras áreas. Mas Lula da Silva ainda não apresentou propostas nesse sentido.

Tais reformas exigiriam também um gerenciamento hábil. Os fatos ocorridos na última semana são um indicador da quantidade de trabalho que há pela frente.

Leia mais

Tradução:

ÍNDICE DE NOTÍCIAS  IMPRIMIR  ENVIE POR E-MAIL

Folha Online
Reforma visual da Folha facilita a leitura; conheça as mudanças
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Chuvas deixam quatro mortos e afetam mais de 4 mil no Paraná
UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA





Shopping UOL

Gravadores Externosde DVD a partir
de R$ 255,00
Câmera Sony6MP a partir
de R$ 498,00
TVs 29 polegadas:Encontre modelos
a partir de R$ 699