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14/02/2007

Acordo da Verizon na Venezuela anima investidores

Financial Times
Andy Webb-Vidal
Em Bogotá
A nacionalização pela Venezuela de quatro unidades produtoras de petróleo dirigidas por várias multinacionais -parte da revolução socialista do século 21 do presidente Hugo Chávez- poderá se tornar uma aquisição amiga do mercado.

O otimismo entre os investidores estrangeiros cresceu na terça-feira, após um acordo rápido, inesperadamente sem problemas, para compra pelo governo da participação da Verizon Communications, com sede nos Estados Unidos, na maior empresa privada de telecomunicações da Venezuela.

As autoridades do governo disseram que a Verizon venderá sua participação de 28,5% na Compañía Nacional Anónima Teléfonos de Venezuela, ou Cantv, para o Estado por US$ 572 milhões, um preço que reflete o valor justo dos ativos.

A um equivalente a US$ 17,85 por cada ADR (American Depositary Receipt) da Cantav, o preço é cerca de 15% menor do que o que bilionário mexicano Carlos Slim oferecia até o mês passado pela compra da participação da Verizon.

Mas o preço é muito maior do que os investidores temiam após o anúncio de Chávez de uma ampla nacionalização, em janeiro, quando as ADRs da Cantav despencaram para US$ 11. Na terça-feira, elas subiram mais de 7%.

Assustados com a retórica "anticapitalista" de Chávez, os investidores estavam preocupados com a disposição da Venezuela de compensar os acionistas, independente da capacidade do rico governo de pagar.

Mas especialistas permanecem cautelosos com o destino dos projetos de petróleo do Cinturão do Orinoco, onde as empresas americanas ChevronTexaco, ConocoPhillips e ExxonMobil, e os grupos europeus BP, Statoil e Total, têm participações.

Gersan Zurita, um analista da Fitch Ratings em Nova York, disse que apesar do governo ter emitido recentemente mais declarações sobre compensação, ninguém sabe como a tomada iminente do setor de petróleo ocorrerá.

"Com base nos comentários das autoridades do governo, é provável que expropriarão sem compensação tanto quanto chegarão a um acordo aceitável para os donos do projeto e investidores", ele disse. "Nós estamos acompanhando isto diariamente e tentando imaginar qual será a próximo movimento de xadrez."

Apesar da Venezuela considerar a telefonia e eletricidade como setores "estratégicos", marcados para controle do governo, Zurita acrescentou que o setor de petróleo é bem mais fundamental e um alvo ideológico para a "revolução" de Chávez.

Chávez estabeleceu 1º de maio como prazo para quatro unidades de "associação estratégica" no Cinturão do Rio Orinoco, que produzem cerca de 600 mil barris de petróleo por dia, ou um quarto da produção nacional, para passarem a ser controladas pelo Estado por maioria acionária.

A Petróleos de Venezuela, ou Pdvsa, a estatal do petróleo, tem participações nas unidades no Orinoco que variam entre 30% e 49%, mas Chávez disse que aumentarão para pelo menos 60%.

Analistas também alertaram que a nacionalização parcial dos projetos no Orinoco é um processo bem mais complexo do que a aquisição da participação acionária na Cantav. Cerca de US$ 4 bilhões em títulos do projeto Orinoco ainda estão nas mãos de investidores, e os instrumentos estão sujeitos a rígidos acordos de restrição de transferência de propriedade.

Quanto à Cantv, críticos disseram que o controle estatal ameaça retroceder as telecomunicações na Venezuela à idade das trevas quando, antes de sua privatização em 1991, os cidadãos podiam esperar oito anos para ter uma linha instalada e dias para obter um sinal de discar.

"A privatização foi um grande salto à frente na modernização da Venezuela", disse Gerver Torres, um economista que supervisionou a privatização da Cantv. "Atualmente ninguém nacionaliza empresas por motivos ideológicos, exceto a Venezuela."

*A Venezuela assinou um acordo preliminar com a CMS Energy Corp. na terça-feira para compra da participação da empresa americana em uma empresa de energia local, informou a agência de notícias "The Associated Press", em Caracas.

A Pdvsa, a companhia estatal de petróleo, comprou da empresa com sede em Michigan a participação de 70% na Seneca, uma pequena empresa de energia que opera no leste da Venezuela, por US$ 105 milhões.
George El Khouri Andolfato

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