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14/02/2007

China cria agência anti-suborno após série de casos de corrupção

Financial Times
Andrew Yeh, em Pequim
Gan Yisheng, secretário-geral do Comitê Central de Inspeção Disciplinar do Partido Comunista da China, anunciou a criação da nova agência na terça-feira, um dia após a mídia estatal ter anunciado a detenção de He Minxu, ex-vice-governador da província de Anhui, acusado de ter recebido pelo menos US$ 1,03 milhão em propinas e de ter vendido cargos oficiais.

Essa notícia foi acompanhada por relatos de que Wu Ying, uma empresária de 26 anos dona de um patrimônio de US$ 500 milhões, foi detida por ter obtido verbas de forma ilegal.

Esses dois casos estão vinculados à mais intensa investigação da corrupção oficial já ocorrida na China nos últimos dez anos. No âmbito desse trabalho, Chen Liangyu, que já foi a mais graduada autoridade do Partido Comunista em Xangai, está sendo investigado por ter supostamente desviado verbas destinadas a um fundo municipal de pensões para empresas ilegais e parentes.

Gan diz que o governo está se preparando ativamente para criar uma agência especial de nível nacional para combater a corrupção, e acrescenta: "A agência tirará lições de algumas práticas internacionais eficientes de prevenção da corrupção".

A sua unidade e o Ministério da Supervisão atualmente trabalham em conjunto para deter, interrogar e investigar funcionários suspeitos de praticar suborno. Não se sabe ao certo qual será exatamente o papel da nova agência, mas Qu Wanxiang, vice-ministro da Supervisão, disse que ela ficará diretamente subordinada ao Conselho de Estado, o gabinete de governo do país, e que poderá dar início aos seus trabalhos neste ano.

Gan diz que o caso de Chen demonstra integralmente o fato de que qualquer um, não importa o quão importante seja o seu cargo, precisa ser responsabilizado segundo as regras do partido e a lei chinesa.

No ano passado, 97.260 membros do partido foram disciplinados por embolsarem propinas, jogarem com dinheiro público, abusarem dos direitos sobre a terra e outras acusações, segundo a comissão do partido.

Outros casos notórios incluem aquele envolvendo Zheng Xiaoyu, ex-diretor da Administração Estatal de Alimentos e Remédios, que está sob investigação por ter supostamente aceitado propinas e ter feito vistas grossas para práticas condenáveis por parte dos seus subordinados.

Qiu Xiaohua, que era o principal estatístico do país até ter sido demitido em outubro, foi expulso do partido no final do mês passado. Ele foi acusado de envolvimento com o escândalo financeiro de Xangai. Gan diz que a investigação de Qiu pelo partido já foi concluída e que o caso foi encaminhado ao Judiciário.

No Natal do ano passado, Du Shicheng, um funcionário graduado da província de Shandong, no leste do país, teria sido demitido pela prática de "grave violação disciplinar".

Gan diz que a sua unidade foi leniente com funcionários que "cometeram erros graves", mas que se mostraram dispostos a corrigir os seus erros e a cooperar com os investigadores.

A China se prepara para instituir uma nova agência anti-suborno para conter a corrupção em meio a uma série de casos envolvendo autoridades de alto escalão e empresários ricos

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