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15/02/2007

Cubanos sentem primeiros movimentos de mudança econômica

Financial Times
Marc Frank
em Havana
Depois de 48 anos sob o governo comunista de Fidel Castro, Cuba tem uma economia diferente de quase qualquer outro país no mundo.

Além de alguns poucos restaurantes em casas de família, o comércio é estatal. Se você quer engraxar os sapatos ou precisa de serviços para uma festa de aniversário, deve procurar uma empresa do governo. Os músicos que tornaram a música cubana famosa no mundo são pagos pelo governo.

Mais de 90% da economia cubana é controlada pelo Estado. Uma pesquisa da revista Forbes revelou que é uma das menos livres do mundo, próxima à da Coréia do Norte.

Com a debilidade da saúde de Castro, muitos dentro e fora do país acreditam que o comando da economia de Cuba está prestes a mudar. Desde que seu irmão Raúl temporariamente assumiu o governo, no dia 31 de julho, especialistas estrangeiros e locais especulam que o Castro mais jovem, de 75 anos, é mais pragmático e pode levar Cuba a um modelo econômico mais aberto, ao estilo chinês.

Ele expressou frustração com a burocracia, exigiu respostas ao declínio na produção de alimentos e instou a imprensa a ser mais crítica. Em outubro, criou uma comissão de acadêmicos para desenvolver um estudo mais amplo sobre o papel da propriedade.

O último estudo desse tipo feito por um líder comunista foi o de Mikhail Gorbachev em 1988, mas não chegou a decolar até a queda do Muro de Berlim, um ano depois, diz o membro da comissão Luis Marcelo Yera.

A economia de Cuba sofre de desorganização crônica e baixa produtividade, altos preços e baixos salários, má contabilidade, falta de disciplina e corrupção. Alguns especialistas acreditam que o modelo econômico de Cuba em breve seguirá o exemplo chinês.

"Esse tipo de debate econômico é o primeiro passo em um processo no qual você começa a ver alguns ajustes e reformas. O governo vai precisar responder às frustrações e expectativas (do povo) no âmbito econômico", diz o especialista em Cuba Frank Mora, do Colégio Nacional de Guerra em Washington.

Membros da comissão já estão sendo pressionados por reformas de mercado. Outros, entretanto, advertem que mudanças desse tipo, com os EUA ao lado, podem se tornar o fim da revolução.

O especialista em China local, o professor de economia Evelio Vilarino, acredita que a China e o Vietnã têm muito a oferecer a Cuba em termos do funcionamento comercial. "É a única forma. Inevitável", diz ele.

Frank Mora concorda. "O modelo (da comissão) é o modelo China-Vietnã, ou seja, do aprofundamento gradual de reformas, mantendo um pulso firme na política."

Mas o chefe da comissão econômica do parlamento cubano, Osvaldo Martinez, diz que reduzir o debate ao contexto da nova liderança cubana ou de reformas de estilo chinês é superficial. "Não estamos falando do modelo chinês, mas do modelo cubano, sobre a melhor forma de avançar dadas as realidades, possibilidades, recursos e problemas cubanos".

A economia de Cuba está se fortalecendo, impulsionada pelo comércio com a Venezuela e a China. Isso significa que o país está em melhor posição para fazer melhorias no funcionamento da economia.

Os ganhos da ilha em câmbio quase dobraram desde o acordo de integração com a Venezuela, em 2004, devido principalmente à exportação de serviços médicos e outros à Venezuela, e preços recordes do níquel.

O crescimento econômico foi três vezes o que era no início da década, quando Cuba começou a se recuperar da queda da União Soviética.

Marcelo insiste que nem a Perestroika nem o comunismo de mercado estão na agenda da comissão, e sim cooperativas, participação de movimentos de base e desregulamentação.

Ele diz que, o objetivo é fazer melhor uso da renda vinda do exterior, tornando a economia mais eficiente.

Phil Peters, do Instituto Lexington nos EUA, disse que o objetivo do debate era colocar o socialismo em uma base sólida para poder sobreviver quando a nova geração assumir. "Castro, antes de adoecer, começou o processo afirmando que as revoluções têm a capacidade de se destruir", disse ele.

"Fidel culpou a ambição e a má administração e recomendou maior controle e disciplina. O diagnóstico de Raúl parecer ser que partes do próprio sistema não funcionam. Veremos o que ele recomenda." Recentes medidas de Raúl Castro geram previsões de que o rígido sistema comunista logo será reformado Deborah Weinberg

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