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23/02/2007

Crescimento de biocombustível é afetado pelo preço crescente dos grãos

Financial Times
Fiona Marvey e Kevin Morrison, em Londres
e Mark Mulligan, em Madri
Os altos preços dos grãos estão ameaçando a indústria nascente de biocombustíveis, aumentando os custos e tornando o combustível menos econômico se comparado com o petróleo.

Os preços das commodities agrícolas atingiram altas nos últimos dias, devido a previsões de condições de clima quente e seco neste ano nos EUA, o que poderia resultar em menores colheitas de grãos. Isso aconteceu depois dos preços de petróleo caírem em um quarto, desde sua alta recorde no ano passado.

O preço do milho atingiu seu ponto mais alto em 10 anos ontem, pelo segundo dia consecutivo, quando chegou a US$ 4,31 (cerca de R$ 9,5) por bushel, em um aumento de US$ 0,05 (em torno de R$ 0,11). O milho é um importante grão para os produtores de etanol americanos, e o aumento de 100% em seu preço no último ano, enquanto o petróleo está no mesmo nível que estava há 12 meses, gerou questões sobre a viabilidade da indústria de biocombustível sem forte apoio do governo.

A alta nos preços dos grãos cria problemas para empresas de biocombustível que produzem etanol do trigo e cevada. Outras empresas produzem biodiesel de outras plantas como soja, amendoim, dendê e canola. Os preços da maior parte dessas commodities também subiram vertiginosamente, refletindo a forte demanda para esses produtos como alimento e a demanda adicional pela indústria de biocombustível.

Christian Langaard, diretor do Capital Euro-Latino, que investe em projetos de biocombustíveis, disse: "Isso está causando problemas para certos produtores."

No início desta semana, houve problemas de produção em uma usina de biocombustível na Espanha, de propriedade conjunta da Abengoa e Ebro Puleva. A usina estava operando abaixo da capacidade, e uma suspensão da produção estava sendo considerada. No entanto, a Ebro Puleva disse que o fornecimento de matéria prima estava garantido até março, apesar de admitir que os preços dos cereais estavam espremendo as margens de operação.

Sophie Justice, diretora de recursos renováveis da RBC Capital Markets, disse que a elevação dos preços dos grãos era uma das maiores questões para as empresas de biodiesel. Ela disse: "Há um verdadeiro risco (para essas empresas). Quanto mais incerteza no preço da matéria prima, mais a economia (do biocombustível) é questionada."

Segundo Justice, isso mostra que a indústria de biocombustível ainda é pesadamente dependente de subsídios do governo, na maior parte dos países.

As indústrias americanas e européias estão protegidas contra as variações de mercado por fortes subsídios do governo, que diminuem o impacto da alta dos preços. Justice também disse que dificilmente os investidores no mercado de biocombustíveis seriam detidos pelo aumento dos preços: "Há uma sensação genuína de que a economia vai funcionar, por exemplo, com uma demanda maior por biocombustíveis."

Langaard concordou que os investidores ainda estavam "muito interessados" no mercado de biocombustíveis, devido à ênfase crescente na segurança de energia nos EUA, Europa e Leste asiático. O presidente George W. Bush anunciou planos no início do ano para reduzir o uso de petróleo em 20% em uma década, em grande parte pelo maior uso de biocombustíveis.

Ele disse em seu discurso do estado da União no mês passado que a produção de etanol e de combustível alternativo nos EUA deve chegar a 35 bilhões de galões por ano até 2017. Na Europa, a Comissão Européia estabeleceu que 10% do combustível usado no transporte deve ser biocombustível até 2020, por preocupações com a mudança climática.

Merlin Hyman, diretor da Comissão de Indústrias Ambientais do Reino Unido, uma organização de empresas ambientais, disse que a preocupação com a possibilidade de alta nos preços de alimentos pela mudança para produção de biocombustível estava sendo exagerada.

Segundo Hyman, não seria difícil produzir suficiente biocombustível para cobrir 10% do combustível usado em transportes. "Espero que haja suficiente matéria prima para assegurar que não haja conflito entre alimento e combustível", disse ele.

O Brasil é o maior produtor do mundo de etanol, e sua indústria não será afetada pela alta dos preços de grãos porque seus produtores usam a cana-de-açúcar em vez do trigo. Converter açúcar em etanol é mais eficiente do que usar trigo, e as empresas brasileiras são consideradas líderes em técnicas eficientes para converter a cana em combustível.

Preocupações com o fornecimento de biocombustível levaram os EUA a começarem discussões com o Brasil sobre formas de criar um mercado global para biocombustíveis, promovendo padrões comuns, segundo informes. Bush irá se reunir com o presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva em março. Mas os EUA até agora se recusaram a alterar em sua tarifa de US$ 0,54 (cerca de R$ 1,2) por galão sobre importações de etanol para os EUA.

Apesar de o biocombustível ter sido apresentado como forma de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, já que as plantas das quais deriva absorvem dióxido de carbono do ar enquanto crescem, muitos grupos ambientais começaram a questionar o movimento para aumentar o uso de biocombustíveis.

Isso porque alguns dos países que planejam produzir mais combustíveis estão destruindo florestas para dar lugar a plantações de cana-de-açúcar, dendê e outras fontes de biocombustível. Outros especialistas questionaram a economia de energia produzida pelo uso de biocombustíveis que, além de adubo para as plantas, requerem energia para convertê-las em combustíveis. Deborah Weinberg

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