UOL Notícias Internacional
 

27/02/2007

Negociações privadas de Doha geram mais interação, mas não acordo

Financial Times
Alan Beattie
em Londres
Conversas privadas entre os principais países da chamada "rodada de Doha" de negociações comerciais globais produziram um engajamento construtivo, mas ainda não um acordo amplo, segundo os participantes.

Altos negociadores de alguns dos principais países nas negociações, inclusive a União Européia, EUA, Índia e Brasil, reuniram-se na semana passada em Londres para continuar uma série de diálogos bilaterais, particularmente sobre a delicada questão agrícola. As conversas se concentraram em diferentes categorias de isenções de cortes gerais de tarifas de agricultura que serão permitidas aos países ricos e pobres.

Peter Mandelson, comissário comercial europeu, disse ontem ao Financial Times: "O que surgiu das reuniões de alto escalão da semana passada foi uma virada clara nas negociações. Agora temos um relacionamento melhor de negociação entre os principais" participantes.

Uma novidade bem recebida das últimas semanas foi a participação da Índia na rede de contatos bilaterais. A Índia, em grande parte, ficou de lado das reuniões intensas entre os principais países que levaram à volta das negociações de Doha no Fórum Econômico Mundial em Davos, no final do mês passado.

No entanto, apesar da Índia sentar à mesa, continuou em seu papel relutante, em vez de trazer agilidade e liderança. Em uma entrevista na televisão no último final de semana, Susan Schwab, representante comercial dos EUA, disse que o progresso com os europeus e brasileiros não estava sendo equiparado por uma boa vontade em Déli de fazer concessões. "Há outros países, porém, inclusive, por exemplo, a Índia, menos inclinados a serem... colaboradores ativos", disse Schwab.

A Índia vem fincando os pés na questão das isenções dos "produtos sensíveis", que permitirão aos países em desenvolvimento proteger alguns agricultores da competição internacional, e no "mecanismo especial de salvaguarda", que permite o controle de ondas súbitas de importação de produtos agrícolas específicos.

Apesar de ter evitado a apontar um país em particular, Mandelson disse: "Não estamos tão avançados quanto precisamos em relação a produtos especiais de países em desenvolvimento e ao mecanismo especial de salvaguarda... precisamos avançar nisso". Ele acrescentou que os países em desenvolvimento têm que mostrar sinais de boa vontade em cortar a proteção de fabricantes e empresas de serviços para que pudesse dar as reduções prometidas em tarifas agrícolas.

Autoridades indianas não retornaram pedidos de comentários.

Para os embaixadores da Organização Mundial de Comércio em Genebra, os sinais de progresso nas conversas privadas entre os principais jogadores na rodada ainda não chegaram à instituição. Um representante com importante papel nas negociações descreveu o ambiente entre a maior parte dos embaixadores de "pessimismo suspenso". Membros da OMC estavam admitindo as tentativas dos principais países de conseguir um acordo, mas sem muito otimismo.

Pascal Lamy, diretor geral da OMC, recentemente disse que um avanço seria possível em questão de meses, em vez de trimestres, mas que era cedo demais para reunir os ministros de comércio e formalizar o progresso.

Lobistas preocupados com as prováveis concessões a serem feitas no acordo continuaram criticando das arquibancadas. O Conselho Nacional de Algodão dos EUA, cujos subsídios foram alvo de reduções particularmente profundas e rápidas em Doha, advertiu o governo americano na semana passada contra quaisquer concessões maiores para cortar o apoio à agricultura. Deborah Weinberg

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