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07/03/2007

Telefônica e PT ainda podem conseguir um acordo pela Vivo

Financial Times
Andrew Parker e Peter Wise
A Telefônica e a Portugal Telecom (PT) ainda podem alcançar um acordo sob o qual o grupo de telecomunicações espanhol fica com o controle exclusivo da Vivo, maior operadora de telefonia celular do Brasil, de acordo com pessoas que conhecem a situação.

As relações entre a Telefônica e a PT foram duramente prejudicadas quando o grupo de telecomunicações de Madri apoiou o processo de aquisição hostil da empresa de Lisboa.

Na última sexta-feira (2/3), a PT repeliu com sucesso a oferta de 11,6 bilhões de euros (em torno de R$ 32 bilhões) da Sonaecom, uma empresa portuguesa menor de telecomunicações.

Investidores da PT impediram a tomada da Sonaecom rejeitando a proposta de abolir uma regra que limitava qualquer acionista de votar por mais de 10% das ações da PT. A Telefônica, entretanto, que é a maior acionista da PT, apoiou a abolição da regra, e essa postura irritou a administração da PT.

Uma pessoa que conhece a PT disse ontem que a empresa sentiu-se "humilhada" pelo apoio da Telefônica à mudança de regra. Essa pessoa também disse que a PT não estava satisfeita com Antonio Viana-Baptista, um dos dois representantes da Telefônica no conselho da PT. O português Viana-Baptista é diretor da empresa espanhola e é a principal ligação do grupo com a PT.

Outra pessoa que conhece a PT disse que a Telefônica deveria fazer um gesto conciliatório e acrescentou que este poderia ser a remoção de Viana-Baptista do conselho da PT. Segundo essa pessoa, tal medida poderia ajudar a pavimentar o caminho para a PT discutir a venda para a Telefônica de sua participação na Vivo. Entretanto, uma pessoa próxima à Telefônica defendeu Viana-Baptista e disse que ele tinha agido com retidão durante o processo de aquisição.

Henrique Granadeiro, diretor da PT, disse na sexta-feira que o apoio da Telefônica à suspensão das restrições de voto demonstrou uma "falta de alinhamento estratégico" com a PT. Ao menos um investidor disse que a PT deveria cortar laços com a Telefônica.

Ricardo Salgado, diretor do Banco Espírito Santo, maior acionista da PT, disse: "Uma separação entre a PT e a Telefônica parece fazer sentido. Viver junto será difícil."

A Telefônica vê a obtenção do controle exclusivo da Vivo como seu principal alvo para este ano, de acordo com pessoas que conhecem o grupo espanhol. O Brasil é o quinto maior mercado de telefonia móvel, com cerca de 100 milhões de clientes. A Vivo é controlada em conjunto pela Telefônica e PT, que detém 63% da operadora.

A Sonaecom estava disposta a vender para a Telefônica a participação da PT na Vivo, se sua oferta de aquisição fosse bem sucedida. A PT registrou o valor da participação na Vivo por 2,7 bilhões de euros (aproximadamente de R$ 7,5 bilhões) em 30 de setembro, e banqueiros dizem que pode estar disposta a vendê-la para a Telefônica por algo entre 3 e 3,5 bilhões de euros (entre R$ 8,4 e R$ 9,8 bilhões).

Se obtiver controle exclusivo da Vivo, a Telefônica poderá se concentrar nas vantagens sinérgicas entre a Vivo e a Telesp, firma de telefone fixo do grupo em São Paulo. As pessoas que conhecem a Telefônica e a PT dizem que a administração conjunta tem sido difícil.

A Vivo, que tinha 29 milhões de clientes no dia 31 de dezembro, vem perdendo mercado para suas rivais. A renda para 2006 foi de 2 bilhões de euros (em torno de R$ 5,6 bilhões), o que representou uma queda de 4%.

O colapso da oferta da Sonaecom pela PT deve anteceder alguma consolidação no setor de telecomunicações de Portugal. Os reguladores portugueses abriram caminho para a consolidação permitindo que a Sonaecom controlasse, além de sua empresa, a telefonia móvel da PT, se sua oferta tivesse sucesso. Teria tido 63% do mercado em número de clientes.

Antonio Carrapatoso, diretor executivo da Vodafone, disse que sua empresa, a PT e a Sonaecom poderiam se tornar alvos de acordos, depois do fracasso da proposta da Sonaecom.

A PT está comprometida em separar-se da PT Multimedia, sua divisão de televisão a cabo, e acredita-se que será melhor alvo para aquisições. Carrapatoso disse que, mesmo sem a PT Multimedia, a PT teria 52% da renda de telecomunicações de Portugal, enquanto a Vodafone tem 19%, e a Sonaecom, 12%.

Por causa de sua posição dominante, a agência reguladora portuguesa pode colocar pressão sobre a PT para vender a PT Conteúdos, seu negócio de conteúdo de mídia.

Analistas disseram que a Sonaecom ia tentar assumir o controle da PT Multimedia porque seria um passo importante em seu objetivo de aumentar sua fatia do mercado de telecomunicações, oferecendo serviços de telefonia fixa, banda larga, telefonia celular e televisão. Deborah Weinberg

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