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13/03/2007

China diz que Estados Unidos e Europa são maiores obstáculos a acordo de comércio global

Financial Times
Do Financial Times
O fato de os Estados Unidos e a União Européia não terem feito concessões no que se refere a tarifas e subsídios agropecuários se constitui no maior obstáculo para uma conclusão bem-sucedida da Rodada Doha de conversações sobre o comércio mundial, afirmou nesta segunda-feira (12/3) o ministro do Comércio da China, Bo Xilai.

Os comentários de Bo, que coincidiram com a divulgação de números revelando um superávit comercial mensal da China em fevereiro que é quase um recorde, irritará os Estados Unidos e a Europa, que reclamam reservadamente que Pequim não se empenhou suficientemente na rodada.

O superávit comercial da China em janeiro e fevereiro chegou a US$ 39,7 bilhões, impulsionado por um crescimento de 41,5% das exportações, que foi mais do que o dobro do aumento das importações do mesmo período. O superávit em fevereiro foi de US$ 23,8 bilhões, o segundo maior já registrado, mas a soma dos dois montantes se constitui em um número mais acurado do que os dados referentes a um único mês porque ela elimina a distorção provocada pelo mutável feriado do ano novo chinês.

A China, a segunda maior nação comercial, teve uma atuação discreta na Rodada Doha, que está sendo penosamente negociada em discussões privadas entre um punhado de países antes que expire o prazo não oficial, em 30 de junho.

Bo insistiu que a China procurou desempenhar um papel construtivo nas conversações e disse, "em resumo", que o maior problema que impede o progresso na rodada é a atitude dos Estados Unidos e da Europa. "Como os dois maiores blocos comerciais do mundo, eles ainda precisam fazer concessões substanciais quanto às altas tarifas de importação sobre os produtos agropecuários, os subsídios às exportações agropecuárias e o grande apoio doméstico aos seus produtos agrícolas", disse Bo.

Defendendo a posição da China, Bo disse que, sob certos aspectos, a China, como país em desenvolvimento, "já fez mais do que deveria ter feito". As críticas dirigidas à China sob a alegação de que o país não fez o suficiente, lembram, segundo Bo, o velho ditado chinês que diz: "O bebê chorão recebe mais leite".

"Ao afirmarem incorretamente que a China é a maior beneficiada da rodada, essas pessoas estão tentando obrigar a China a fazer mais concessões", acusou Bo. "Somos participantes responsáveis e ativos no comércio global, e não teremos um almoço gratuito na Rodada Doha de conversações".

Bo também apresentou a defesa tradicional de Pequim do seu superávit comercial, que chegou a US$ 177 bilhões no ano passado, afirmando que o fenômeno foi cresceu devido ao deslocamento da manufatura global do resto da Ásia para a China nos últimos anos.

Ele afirmou que quando se leva em conta os lucros das companhias norte-americanas e as receitas advindas das vendas chinesas, o relacionamento econômico bilateral fica relativamente equilibrado.

"Qualquer medida internacional tomada pelos Estados Unidos contra as importações chinesas, tais como a lei proposta para a adoção de tarifas uniformes de 27,5% seria completamente contrária aos princípios da Organização Mundial do Comércio e uma forma de hegemonia comercial", declarou ele. Mas Bo admitiu que o superávit comercial foi muito elevado e disse que o ministro do Comércio recebeu a tarefa de descobrir formas de reduzí-lo. "Mas não seria recomendável esperar efeitos tangíveis no curto prazo a partir de tais medidas no campo comercial", advertiu ele.

Também é evidente que Pequim espera receber apoio, pela sua posição, por parte de alguns empresários norte-americanos que contam com grandes investimentos na China, neste momento em que o país luta contra potenciais medidas protecionistas. Bo disse que o empresariado norte-americano é o "maior ganhador" com a expansão do comércio global e que é improvável que esses empresários apóiem a criação de novas barreiras comerciais. UOL

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