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16/03/2007

Editorial: O gambito latino de Bush

Financial Times
Do Financial Times
O presidente George W. Bush fez um esforço inicial para reparar a fama do país na América Latina. Entre as novas e bem recebidas idéias introduzidas durante uma turnê de seis dias pela região, está uma aliança de energia verde com o Brasil e maior ênfase na ajuda aos pobres da região. Elas indicam que o governo finalmente está começando a ampliar uma agenda que ficou por tempo demais restrita ao comércio livre, segurança e a guerra aos narcóticos. Mas se Bush quiser reverter o declínio constante da influência americana, precisa pensar maior.

Sob sua presidência, o antiamericanismo reascendeu na região, agravado pela influência crescente, em alguns países mais pobres, do presidente radical da Venezuela Hugo Chávez.

Nesse cenário, os passos modestos para implementação de novas políticas da semana passada estão na direção certa. Pequeno, mas significativo financiamento foi destinado a programas para ajudar os latino-americanos a aprenderem inglês e pessoas pobres a comprarem casas. O projeto de etanol pode permitir que países menores reduzam a dependência em petróleo importado (freqüentemente da Venezuela) e deve fortalecer o relacionamento com a economia mais poderosa da América do Sul, o que por sua vez ajudaria a ancorar a estabilidade regional.

Além disso, Bush confirmou seu apoio a um acordo para regularizar a situação de milhões de trabalhadores ilegais latino-americanos atualmente nos EUA. Se bem sucedido, colocará as relações com o México em novo pé. Tudo isso está em linha com os esforços pacientes do Departamento de Estado para dar um tom mais pragmático à política, evitando particularmente confrontos retóricos com Chávez, que em geral dão vantagem a este. Mas muito mais precisa ser feito.

Subsídios e tarifas ferozmente defendidos que protegem os produtores de álcool americanos são distorções sérias de mercado e minam o projeto de combustível verde, por exemplo. Ainda assim, Bush não tem planos de reduzi-los. Além disso, não está claro se conseguirá apoio do Congresso para uma reforma de imigração viável. Enquanto isso, a escala dos programas médicos e sociais sendo desenvolvidos por Chávez e Fidel Castro de Cuba ressalta a pobreza da ambição americana.

Nesta semana, Venezuela e Cuba anunciaram um projeto de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 2 bilhões) para fomentar o desenvolvimento do Haiti, país mais pobre do hemisfério. O anúncio marca um contraste infeliz com o navio hospital que Bush está enviando aos portos de 11 países pobres para oferecer cirurgias de emergência.

No longo prazo, a generosidade venezuelana e cubana depende do preço do petróleo, que pode não se sustentar. Mesmo assim, Washington precisa ampliar sua visão. Talvez seja mais inteligente trabalhar com bancos multilaterais para desenvolver melhorias mais profundas em áreas como saneamento e saúde básica, ou expandir a abrangência da Millennium Challenge Corporation, cujo trabalho está restrito a um grupo relativamente pequeno de países da região. Não será fácil. Mas sem um esforço maior e mais corajoso, o prestígio dos EUA na América Latina continuará caindo. Planos modestos ressaltam a pobreza da ambição americana na região Deborah Weinberg

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