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24/03/2007

Pedido de ajuda para combater o desmatamento tropical

Financial Times
Do Financial Times
Sir Nicholas Stern, autor de um relatório britânico importante sobre a mudança climática, pediu ontem outros US$ 15 bilhões (aproximadamente R$ 30 bilhões) por ano de ajuda para o mundo em desenvolvimento combater o desmatamento tropical e suas significativas emissões de gases de efeito estufa.

O pedido de investimento nas florestas coincidiu com a publicação de um estudo classificando a Indonésia e o Brasil como os maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo, depois dos EUA e da China.

O novo relatório, comissionado pelo governo britânico e pelo Banco Mundial, concluiu que 83% das emissões anuais da Indonésia e 60% das do Brasil vêm da destruição de suas florestas. Juntas, são 10% das emissões totais do mundo.

Sir Nicholas disse que uma área de florestas do tamanho de Portugal é desmatada anualmente. Essa mudança no uso da terra é responsável por 18% das emissões globais.

Um investimento de US$ 15 bilhões, disse ele, cortaria pela metade o atual índice de destruição e reduziria as emissões anuais globais de gases de efeito estufa em cerca de 9%. Coincidentemente, esse é o mesmo número produzido globalmente por madeireiros ilegais, segundo as estimativas do Banco Mundial.

Países ricos e agências como o Banco Mundial devem arrecadar os US$ 15 bilhões assim que possível, instou Sir Nicholas. "Não é caridade, é investir no futuro do qual são grande parte e investir em um programa de ação do qual serão os grandes beneficiários", disse ele.

As diretrizes para o uso do dinheiro devem ser formuladas pelos países "onde estão as árvores". "Eles compreendem suas próprias sociedades, suas próprias economias, o que está envolvido e que tipo de medidas devem tomar", disse Sir Nicholas.

Mas a ajuda deve ser substituída "assim que possível" por um esquema de trocas, pelo qual as nações podem ganhar dinheiro por não desmatar, disse Sir Nicholas, ex-economista do Banco Mundial.

Países com extensas florestas, como o Brasil, Camarões e Indonésia, vêm fazendo forte lobby para tal esquema ser incluído no programa que substituirá o protocolo de Kyoto, que expira em 2012. Sob Kyoto, é possível obter créditos de carbono com o plantio de árvores, mas não pela preservação das florestas.

As negociações formais para a substituição do protocolo de Kyoto devem ser iniciadas em dezembro, quando 10.000 pessoas de 180 nações vão se reunir em Bali, Indonésia.

Agus Sari, diretor do sudeste asiático da EcoSecurities, uma empresa de desenvolvimento e comércio de créditos de carbono, acredita que tal esquema de incentivo à preservação da floresta deveria entrar em vigor em dois anos para fazer uma diferença significativa. "Os governos locais vêem a conservação como um peso", disse ele. "Eles querem cortar as árvores e desenvolver a terra."

A Indonésia começou a implementar um sistema no ano passado, mas tem fundos suficientes apenas para alocar uma média de US$ 90.000 (em torno de R$ 180.000) por distrito por ano.

Se bem sucedida, a assistência daria US$ 4 por tonelada de dióxido de carbono não emitido, de acordo com estimativas de emissões de florestas.
Atualmente, os países ocidentais estão pagando US$ 9 por tonelada de dióxido de carbono não emitido em outros setores.

Investir no combate ao desmatamento é mais barato porque os riscos são muito maiores, de acordo com Josef Leitman, coordenador ambiental na Indonésia para o Banco Mundial. "Você está colocando sua fé nos governos da Indonésia, Brasil e Congo para que instalem essas políticas", disse ele. Deborah Weinberg

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