UOL Notícias Internacional
 

28/03/2007

Uribe mostra-se indiferente à medida que "Paragate" atinge o palácio presidencial

Financial Times
Anastasia Moloney, em Bogotá
e Richard Lapper, em São Paulo
Desde que Salvatore Mancuso declarou em 2004 que os grupos paramilitares de direita que ele liderava eram "amigos" de mais de um terço dos membros do congresso da Colômbia, os analistas locais se perguntaram até que ponto chegaria o escândalo.

Até o momento o presidente Álvaro Uribe permanece intocado pela onda de alegações e investigações que transformaram o escândalo "Paragate" de um caso que afetava principalmente autoridades e parlamentares de menor importância em um problema que se aproxima das portas do palácio presidencial.

Maria Consuelo Araújo, a ministra das Relações Exteriores de Uribe, foi obrigada a renunciar ao cargo no mês passado, depois que o seu irmão, o senador Alvaro Araújo, foi preso devido à alegação de ter conspirado em conjunto com os paramilitares.

Jorge Noguera, ex-diretor da agência colombiana de inteligência e confidente do presidente, também foi preso no mês passado, tendo sido libertado na semana passada por ordem do Supremo Tribunal do país. A decisão do tribunal foi duramente criticada por Mario Iguarán, o procurador-geral, que continua investigando Noguera.

No último domingo, o general Mario Montoya, comandante do exército colombiano, foi vinculado ao escândalo Paragate depois que um relatório vazado da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos alegou que ele tinha envolvimento com os grupos paramilitares.

A situação ameaça se espalhar para além da Colômbia e influenciar o clima no congresso dos Estados Unidos, que está encarregado de examinar um acordo comercial recentemente firmado com Bogotá e de decidir ou não pela aprovação de US$ 740 milhões (554 milhões de euros, 376 milhões de libras esterlinas) relativos a um pacote de ajuda econômica e militar.

O presidente George W. Bush, que visitou recentemente a Colômbia durante a sua viagem pela região, apoiou vigorosamente o seu aliado colombiano. Mas ele admitiu que conseguir que o tratado comercial seja aprovado por um congresso liderado pelos democratas será "uma batalha" e que o tratado já enfrenta intensa oposição de vários democratas.

As alegações desta semana implicando o general Montoya poderão piorar o clima já ruim no congresso dos Estados Unidos. "Essas últimas alegações só vêm confirmar as piores suspeitas do congresso, e afetarão o componente militar do auxílio que ainda está por ser aprovado", afirmou Adam Isacson, do Centro de Política Internacional, em Washington.

Os analistas dizem que o impacto do caso afetou os projetos legislativos domésticos de Uribe. O escândalo também gerou questionamentos quanto à possível falta de transparência nas eleições locais marcadas para outubro, especialmente ao se levar em consideração o rearmamento de grupos paramilitares que haviam sido desmobilizados. Os oponentes políticos de Uribe estão pedindo ao governo que promova reformas a fim de prevenir fraudes eleitorais.

"Ainda existem regiões do país nas quais o povo é obrigado a votar nos candidatos apoiados por grupos ilegalmente armados, e onde o eleitor não conta com a liberdade para escolher quem quer", acusa Carlos Gaviria, ex-candidato presidencial e líder do Partido Pólo Democrático Alternativo, que obteve surpreendentes 22% dos votos na eleição do ano passado.

Para Uribe a situação é normal. O presidente continua com o seu estilo participativo de governar e pode ser visto presidindo reuniões de conselhos comunitários todos os finais de semana. Esses eventos são transmitidos ao vivo pelos canais de televisão estatal. A última pesquisa Gallup de opinião revelou que ele conta com o apoio de 72% dos colombianos.

"Aqui o povo vota em um presidente, e não em um partido. Não existe a menor evidência de que Uribe tenha conspirado com os paramilitares", afirma Alfredo Rangel, diretor da Fundação Segurança e Democracia, uma instituição de pesquisas políticas de Bogotá. "E os danos ao governo colombiano também não durarão muito tempo. Mais da metade dos congressistas são pró-Uribe. Este fato e o alto índice de aprovação popular de Uribe significam que a sua governabilidade não será afetada, apesar da crise. "

Entretanto, é provável que este seja um ano complicado para Uribe. Os julgamentos de mais de 50 chefes de grupos armados, presos desde que o presidente negociou um acordo de paz com os chefes paramilitares três anos atrás, deverão ocorrer dentro dos próximos 17 meses. Existem temores de que, à medida que os julgamentos prosseguirem, surjam revelações ainda mais comprometedoras. UOL

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