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30/03/2007

Tensões entre Reino Unido e Irã aumentam e Rússia faz alerta

Financial Times
Daniel Dombey, em Londres
e Gareth Smyth, em Teerã
Nesta quinta-feira (29/3) a Rússia alertou contra a escalada das tensões no Golfo Pérsico, no momento em que o Reino Unido e o Irã endurecem as suas posições em relação a uma disputa em torno dos 15 marinheiros e fuzileiros navais capturados por guardas revolucionários iranianos.

A declaração de Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, foi feita no momento em que o Reino Unido monta uma campanha por uma declaração da Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo a libertação dos marinheiros e fuzileiros navais, e quando uma autoridade de alto escalão do governo do Irã cancelou os planos para libertar uma mulher que fazia parte do grupo detido.

"Atualmente o Golfo Pérsico está em tamanho estado de agitação que qualquer ação nessa área, especialmente aquelas que envolvam marinhas ou outras forças militares, precisa levam em conta a necessidade de não agravar ainda mais a situação", afirmou Lavrov, referindo-se principalmente aos exercícios navais dos Estados Unidos na região. "A região já está instável".

A Rússia tem expressado seguidamente as suas preocupações quanto ao aumento das tensões na região, que já se encontra muito tensa devido à disputa quanto ao programa nuclear de Teerã. Esse programa levou o Conselho de Segurança da ONU a impor sanções contra o país no último sábado.

Diplomatas disseram que Moscou mostrou-se relutante em concordar com a minuta de declaração da ONU redigida pelo Reino Unido, que afirma que os militares britânicos estavam em águas territoriais iraquianos quando foram detidos. "Continuamos a buscar o apoio internacional para a libertação imediata da nossa tripulação detida, e é por isso que estamos conversando com os nossos parceiros nas Nações Unidas", disse um porta-voz do Departamento de Relações Exteriores do Reino Unido.

O Reino Unido apresentou dados de GPS que, segundo Londres, provam que o incidente ocorreu em águas iraquianas. Mas o Irã insistiu na quinta-feira (29/3) que o GPS das embarcações britânicas mostrava que elas penetraram 450 metros em águas iranianas.

Ontem, Ali Larijani, a principal autoridade iraniana da área de segurança, disse que a iniciativa do Reino Unido de levar a questão ao Conselho de Segurança, e a decisão de Londres de congelar a maioria dos negócios com Teerã, significa que o Irã não cumprirá as promessas que fez anteriormente no sentido de libertar Faye Turney, a única mulher entre os 15 cativos.

"Por termos nos deparamos com tais palavras duras e esse comportamento inapropriado, naturalmente aquelas medidas serão suspensas", disse Larijani. "Se esse é o caminho que eles escolheram, naturalmente esse problema seguirá uma rota legal, em vez de encontrarmos uma solução por meio de conversações bilaterais".

A televisão iraniana também mostrou o brigadeiro Sataya, o comandante da base naval Arvand, exibindo mapas e cartas náuticas que supostamente comprovam que os britânicos violaram as águas iranianas. Sataya disse que o aparelho GPS das forças britânicas revelou que estas entraram em águas iranianas cinco vezes antes de serem detidas na sexta invasão.

A televisão também anunciou que o ministro das Relações Exteriores do Irã enviou uma "carta de protesto" à Embaixada do Reino Unido em Teerã exigindo "garantias necessárias" de que os veículos navais britânicos não voltarão a entrar em águas iranianas.

Uma autoridade dos Estados Unidos descartou qualquer sugestão de que Washington possa ajudar na libertação dos 15 britânicos detidos soltando os cinco iranianos presos pelos norte-americanos no Iraque em janeiro. "O governo do Reino Unido e nós temos uma filosofia comum em relação a troca de reféns", disse ele. "Não creio que em circunstância alguma criar trocas de reféns seja algo de positivo".

Em um sinal de solidariedade com o Reino Unido, o ministro das Relações Exteriores francês convocou o embaixador iraniano na França para exigir deste a libertação dos militares britânicos.

Já Javier Solana, chefe de política externa da União Européia, declarou que está esperançoso de que as negociações quanto ao programa nuclear do Irã possam ser retomadas em breve. UOL

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