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02/04/2007

InBev pode saciar sua sede por consolidação

Financial Times
Sarah Laitner, Jenny Wiggins e Jonathan Wheatley
Havia uma pergunta na mente de todos quando Carlos Brito, o executivo-chefe da InBev, apresentou no mês passado o lucro anual da cervejaria -o grupo estava em conversações preliminares de fusão com a rival americana Anheuser-Busch?

Tal aliança formaria uma cervejaria colossal com mais de um quinto do
mercado de cerveja do mundo e poderia transformar o setor.

Apesar de Brito, como o brasileiro é conhecido, não ter comentado sobre a reportagem de um jornal brasileiro a respeito de discussões com a Anheuser, o rumor provocou novas conversas sobre o futuro da InBev.

Como a maior cervejaria do mundo tanto em volume quanto capitalização de mercado, a InBev provavelmente será central em qualquer grande atividade de fusão e aquisição na indústria cervejeira.

Os rumores de fusões e aquisições na indústria cervejeira ocorrem aos montes no momento, em meio a especulação de que cervejarias intermediárias como Anheuser, Scottish & Newcastle, Carlsberg, Heineken e Molson Coors serão todas forçadas a consolidar para competir com as gigantes do setor, InBev e SABMiller, que estão expandindo globalmente.

Na semana passada, as ações da Scottish & Newcastle atingiram sua maior alta em quase cinco anos, à medida que investidores especulavam sobre a
possibilidade de uma oferta de aquisição de várias cervejarias diferentes, apesar de não haver confirmação de que qualquer oferta era iminente.

Apesar da aparente lógica de uma aliança entre a InBev e a Anheuser,
analistas acreditam que a perspectiva de um acordo de curto prazo entre as duas cervejarias pode ser mais um desejo do que realidade.

Os analistas acreditam que a InBev ainda não atingiu o potencial pleno da combinação incomum belga-brasileira por meio da qual foi formada. Alguns questionam se no momento o grupo estaria seriamente interessado na Anheuser -ou em qualquer outra grande cervejaria do mundo- à medida que continua se reestruturando sob seu comando administrativo brasileiro.

Jan Meijer, analista da Theodoor Gilissen Bankiers, disse: "A integração dos grupos belga e brasileiro na InBev apenas acabará quando o esquema agressivo de controle de custos de Brito estiver implementado em todas as operações".

"A InBev se formou apenas em 2004 e não é óbvio que o momento é propício para embarcar em uma grande fusão."

A InBev está centralizando as aquisições, introduzindo controles
orçamentários mais rígidos e padronizando operações como parte de seus
esforços de gestão de custos. Apesar do acordo que criou a InBev ter sido descrito como uma fusão entre as cervejarias belga e brasileira, ela foi na verdade amplamente interpretada como uma aquisição belga.

Agora a percepção é de que houve uma virada de mesa, porque os brasileiros contam com sete dos 13 principais executivos da InBev. Além disso, os dois lados têm controle conjunto sobre as ações majoritárias do grupo.

A presença de três brasileiros dos ex-parceiros de private equity no
conselho diretor da InBev poderá ser crucial para a estratégia de fusões e aquisições da cervejaria.

Os três eram sócios fundadores da GP Investimentos, que recuperaram com
sucesso uma série de empresas brasileiras. A firma é conhecida por sua
cultura agressiva de mão na massa e insiste em controlar os grupos nos quais investe.

Até o momento, o desempenho da InBev tem agradado aos investidores, com suas ações dobrando de preço nos últimos dois anos para cerca de 54,05 euros. Mas elas são negociadas com um ágio em comparação às demais cervejarias com um relação de preço/lucro de 18,1 vezes os lucros estimados para 2007.

Quando apresentou os resultados, Brito, 46 anos, destacou que buscou um
crescimento orgânico para a InBev sediada na Bélgica, conhecida pelas marcas Stella Artois e Beck's. Mas ele disse que o grupo poderia considerar aquisições adicionais na Rússia, China, Alemanha e sua fortaleza latino-americana.

Como muitas cervejarias, ela enfrenta um enfraquecimento das vendas na
Europa Ocidental, onde as pessoas estão cada vez mais trocando a cerveja por vinho e destilados.

Assim, a InBev adquiriu cervejarias na China e Rússia, onde o crescimento é mais rápido, nos últimos dois anos. Com baixa alavancagem, uma dívida líquida em relação aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização em relação à base das relações do setor de 1,3 vez, ela dispõe de poder de fogo para fazer mais aquisições.

A lógica percebida por trás da aliança debatida com a Anheuser, produtora da popular cerveja Budweiser, é que ela superaria a relativa fraqueza da InBev no mercado americano e a falta de escala internacional da Anheuser.

A dupla já tem laços após acertarem em novembro que a Anheuser seria a
importadora americana exclusiva das marcas da InBev como Stella Artois, Beck's, Bass Pale Ale, Hoegaarden e Leffe.

Como Damien Caucheteux, analista da Petercam, disse: "A InBev não tem muita presença nos Estados Unidos, enquanto a Anheuser é forte lá. Mas, o mercado mais lucrativo é das marcas premium, de onde pode-se extrair os maiores lucros, e a Anheuser oferece principalmente marcas populares".

Com poderosos acionistas belgas e brasileiros detendo cerca de dois terços do grupo, a InBev está menos exposta a pressões externas do que a maioria de seus pares e ainda pode surpreender. Quais são as opções diante da maior cervejaria do mundo em um setor propício a mudanças? George El Khouri Andolfato

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