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03/04/2007

Bilionário mexicano pode dominar a telefonia celular no Brasil

Financial Times
Andrew Parker, Paul Taylor
e Adam Thomson
A América Móvil, o grupo de telefonia celular do bilionário mexicano Carlos Slim, conta com "uma oportunidade que só aparece uma vez na vida" para dominar o mercado brasileiro por meio da Telecom Italia, disseram analistas do setor na segunda-feira (2/4).

Jesús Romero, analista da Merrill Lynch, enfatizou a maneira como a América Móvil, com sede na Cidade do México, poderia utilizar os seus planos conjuntos com a AT&T dos Estados Unidos para garantir o controle acionário da Telecom Italia, para, a seguir, criar a maior operadora de telefonia celular no Brasil.

No entanto, alguns analistas questionaram por que a AT&T está cogitando se envolver com a Telecom Italia, já que eles não conseguem enxergar muita lógica em tal negócio.

A Pirelli anunciou no último domingo que está mantendo conversações exclusivas com a AT&T e com a América Móvil no sentido de vender dois terços da parcela que lhe confere controle acionário sobre a Italia Telecom.

A AT&T e a América Móvil comprariam cada uma um terço das ações da Olimpia, uma companhia intermediária, por meio da qual a Pirelli é proprietária de 18% da Telecom Italia. O acordo permitiria que a AT&T e a companhia mexicana comprassem o terço restante da Olimpia um ano após a conclusão da transação.

Caso for concluído, o acordo poderá ter amplas repercussões na América Latina, e especialmente no Brasil, que é o quinto maior mercado de telefonia celular do mundo.

Romero disse que a América Móvil, que conta com 125 milhões de usuários de telefones celulares, principalmente na América Latina, poderá fundir as suas operações brasileiras com as da Telecom Italia.

A Claro, da América Móvil, é a terceira maior operadora de telefonia celular no Brasil, e a TIM, da Telecom Italia, a segunda. Uma fusão superaria a Vivo, a maior operadora de telefonia celular no Brasil, que é controlada em conjunto pela Telefónica, da Espanha, e pela Portugal Telecom.

"Agora que a Pirelli ofereceu as suas ações majoritárias da Telecom Italia para venda, esta é, em nossa opinião, uma oportunidade única na vida para a América Móvil", disse Romero em uma nota de pesquisa de mercado, que recomendava a compra das ações da Telecom Italia.

Ele estima que uma fusão da Claro com a TIM possibilitaria que as operações brasileiras da América Móvil gerassem lucros de mais de 40%, sem contar com juros, impostos, depreciação e amortização.

Sem a TIM, ele calcula que essa margem, no longo prazo, seja de 35%.

Se o negócio entre a AT&T, a América Móvil e a Pirelli for concluído, ele implicará em pressão sobre a Telefónica para que esta garanta o controle exclusivo sobre a Vivo.

Pessoas próximas à Portugal Telecom disseram no mês passado que a empresa pode estar cogitando vender as suas ações na Vivo para a Telefónica.

No mês passado a Telefónica cancelou com a Pirelli negociações focadas na possibilidade de o grupo espanhol comprar uma parte da Olimpia e formar uma aliança com a Telecom Italia.

As operações da Telefónica se dão em conjunto com as da Telefónica Italia na Argentina e na Alemanha, assim como no Brasil.

Mas a AT&T não trabalha em conjunto com a Telefónica Italia, explica Ottavio Adorisio, analista do UBS, que emitiu uma recomendação de "hold" (nem de compra nem de venda) para as ações da Telefónica Italia.

Nick Delfas, analista do Morgan Stanley, disse que a lógica que guia o interesse da América Móvil na Telefonica Italia é "clara", mas que quanto a AT&T tal lógica "não é tão óbvia".

Delfas, que também emitiu uma recomendação de "hold" para as ações da Telecom Italia, disse que o fato de a AT&T escolher como alvo um grande grupo europeu de telecomunicações "significa uma grande mudança de estratégia".

A AT&T anunciou que o negócio proposto com a Olimpia faz parte de uma iniciativa para garantir que a empresa seja capaz de arcar com companhias multinacionais onde quer que estas façam negócios e de fornecer a elas uma ampla gama de serviços.

A AT&T precisa criar relações com grupos de telecomunicações de fora dos Estados Unidos de forma a proporcionar aos seus clientes acesso à sua rede global.

Sob a administração do diretor-executivo Ed Whitacre a companhia cresceu, passando a ser o maior grupo de telecomunicação dos Estados Unidos, por meio de uma série de aquisições, que culminaram com a compra da Bell South, uma rival menor, por US$ 68 bilhões, no ano passado. Na semana passada Randall Stephenson, diretor de operações da AT&T, disse ao "Financial Times" em uma entrevista que qualquer futura aquisição realizada pela empresa poderia ser feita no exterior. UOL

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