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03/04/2007

Greve força o Brasil a prometer solução rápida para crise no ar

Financial Times
Financial Times
O governo brasileiro prometeu entregar até hoje uma solução para a crise de seis meses na indústria de aviação do país. A crise chegou a um clímax no final de semana, com uma greve dos controladores de tráfego que deixou centenas de passageiros em solo.

As condições dos aeroportos do país começaram a voltar ao normal no domingo (1/4), depois de cenas de caos na noite de sexta-feira e sábado. O Sindicato Nacional das Empresas Aéreas disse que as companhias aéreas estavam preparando uma ação legal contra a recém criada autoridade de aviação civil (Anac) para recuperar as perdas incorridas durante o caos. A Anac disse que pode processar as companhias aéreas por não darem compensação imediata aos passageiros que não puderam voar.

Os 2.400 controladores de tráfego aéreo do Brasil - na maioria, sargentos das Forças Aéreas - vêm pedindo melhores salários e condições de trabalho desde setembro do ano passado. Uma colisão no ar que matou 154 pessoas naquele mês expôs severas lacunas no controle do tráfego aéreo e infra-estrutura dos aeroportos.

Os controladores estão exigindo a desmilitarização do controle do tráfego aéreo e melhores salários. Eles também querem um plano de carreira e estão exigindo que uma junta civil e militar seja estabelecida para supervisionar a desmilitarização e assegurar que suas demandas sejam cumpridas.

A maior parte dos controladores, enquanto sargentos, ganham entre R$ 1.700 e R$ 3.700 por mês, chegando ao topo da escala depois de décadas de serviço.

Na noite de sexta-feira (30/3), grupos de controladores entraram em greve de fome, depois se recusaram a trabalhar. O comando da Força Aérea descreveu a ação como motim e pediu sua prisão imediata.

No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a caminho de Washington para reunir-se com o presidente George W. Bush, interveio. Ele determinou que as demandas dos controladores fossem cumpridas, reconhecendo que o Brasil não tinha profissionais de reserva e que a prisão levaria a um desmoronamento total da indústria de aviação.

Advogados dos controladores de tráfego aéreo dizem que o governo concordou com suas principais demandas no início de sábado. Estas estão alinhadas com as recomendações para lidar com a crise apresentadas em dezembro por um grupo de trabalho criado após a colisão no ar.

A própria Força Aérea, aparentemente, aceitou a transferência para o controle civil no final de semana, anunciando que o controle do tráfego aéreo não estava mais sob comando militar. Oficiais teriam deixado dos controladores trabalhando sem supervisão desde sábado, dizendo a eles que trabalhassem com roupas civis e, em um caso, rasgando seu livro de ponto. Deborah Weinberg

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