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04/04/2007

Castro volta de sua cama de doente à História escrevendo

Financial Times
Marc Frank
Em Havana
Fidel Castro está se recuperando de sua longa enfermidade e deve aparecer em público em breve, deixando cubanos e governos estrangeiros fazendo a mesma pergunta: qual será o futuro papel do presidente icônico da ilha?

Na semana passada, Castro escreveu um longo artigo no jornal oficial Granma, seu primeiro em oito meses. Antes disso, ele conversou com seu aliado Hugo Chávez por meia hora em uma rádio venezuelana.

O autor colombiano Gabriel García Márquez passeou com seu amigo octogenário no mês passado e brincou: "Ele é o mesmo velho Fidel".

Nos distritos elegantes de Miramar e Siboney, de Havana, a conversa mudou da natureza da doença de Castro e se ele morrerá ou não para as relações entre o comandante e seu irmão mais jovem e substituto, Raúl Castro, 75. As pessoas também estão se perguntando se devem suspender as expectativas de flexibilização por Raúl do comando da economia ao estilo soviético.

Pronunciamentos alegres de membros da família, amigos e líderes cubanos estão chegando sucessivamente. "Fidel está estupendo", disse Mariela Castro Espín, filha de Raúl Castro.

A maior parte dos observadores agora acredita que Castro sofre de diverticulite, uma séria inflamação do intestino grosso que freqüentemente requer cirurgia em idosos. Mas muitos acreditam que não reassumirá seu pleno papel de liderança.

Empresários e políticos ocidentais visitantes dizem que os burocratas parecem paralisados, esperando para ver o que acontece. "Ninguém parece saber exatamente o que está acontecendo ou o que esperar, então todos estão sendo muito cautelosos", disse um representante de vendas de alimentos americano, com anos de experiência em Havana.

"É prematuro prever a volta de Fidel Castro como presidente de Cuba", disse Dan Erikson, especialista em Caribe do Diálogo Interamericano de Washington. "Sua aura de domínio foi irrevogavelmente danificada e isso imporá novas restrições em sua capacidade de dominar Cuba da forma como se acostumou nos últimos 48 anos."

Entretanto, o presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón, disse ao jornal espanhol Vanguardia recentemente: "Estou confiante que ele não só continuará nos guiando em questões fundamentais, como faz agora, mas que o veremos de perto." Alacrón, uma das poucas autoridades com acesso a Castro, disse que seria natural ele reduzir suas horas de trabalho, mas acrescentou: "Ele é capaz de voltar e nos surpreender a todos."

Domingo Amuchastegui, ex-oficial de inteligência que desertou de Cuba no início dos anos 90 e agora ensina na Flórida, acredita que Castro terá um papel menor por alguns anos, enquanto a liderança de seu irmão mais jovem cresce e se solidifica. "Raúl será um líder de equipe, formando um número crescente de figuras de meia idade e mais jovens para o futuro", diz ele.

É uma opinião compartilhada por muitos analistas. "Relutantemente, Fidel assumirá uma carga de trabalho reduzida, pedindo informações e dando feedback aos principais responsáveis pelas decisões", diz John Kirk, especialista latino-americano da Universidade Dalhousie em Halifax, Canadá. "Ele terá consciência que as coisas funcionaram extremamente bem sob seu irmão e que seria melhor manter essa situação."

Até os EUA retiraram sua teoria que Castro tem câncer e apenas pouco tempo de vida. "Fidel Castro continua sendo uma... presença política dominante", disse Thomas Shannon, subsecretário de Estado, no mês passado.

Enquanto isso, o artigo de Castro no Granma deixou poucas dúvidas que, independentemente de seu futuro papel, ele não perdeu sua dramaticidade ou a queda por acusar os EUA do sofrimento dos pobres do mundo.

Em particular, ele disse, os planos dos EUA de usar alimentos para fazer etanol gerarão fome em massa e a morte de 3 bilhões de pessoas. Ele acrescentou: "Este não é um número exagerado. É mais provável que seja conservador." O presidente enfermo de Cuba parece determinado a voltar à vida pública Deborah Weinberg

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