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05/04/2007

Abu Dhabi prevê futuro com energia renovável

Financial Times
Andrew England
No Cairo
Até as autoridades de Abu Dhabi reconhecem que à primeira vista uma iniciativa destinada a pesquisar, desenvolver e produzir fontes de energia renováveis pode parecer estranha em um dos principais exportadores de petróleo do mundo. Mas elas afirmam que a Iniciativa Masdar, lançada no ano passado, é um passo lógico para o futuro do emirado rico em petróleo.

Segundo eles, vai garantir que o país mantenha sua posição entre os altos escalões do setor de energia, conforme as alternativas sustentáveis aos combustíveis tradicionais assumem um papel crescente em meio a preocupações sobre a mudança climática.

Ao mesmo tempo, a iniciativa vai atrair indústrias de tecnologia limpa, encaixando-se nos esforços de diversificação econômica do governo. E com o desenvolvimento certo poderá até ajudar na produção dos recursos do petróleo de Abu Dhabi, dizem as autoridades, se tudo sair como planejado.

Abu Dhabi produz cerca de 95% do petróleo dos Emirados Árabes Unidos, mas está tentando reduzir sua dependência de hidrocarbonetos em longo prazo. E a Iniciativa Masdar é um exemplo de como está tentando criar uma estratégia de desenvolvimento diferente da de seu vizinho mais conhecido, Dubai, ao visar setores estratégicos apoiados por sua incrível riqueza em petróleo, onde sente que pode agregar valor.

"Para nós, isto representa uma oportunidade única, conhecendo nossa posição no mercado de energia, conhecendo nossa perícia em energia e os recursos financeiros substanciais que temos hoje", diz o sultão Al-Jaber, executivo-chefe da Abu Dhabi Future Energy Company, criada para conduzir a Iniciativa Masdar. "A questão não é substituir o petróleo e o gás, é basicamente prolongar a vida dos setores de óleo e gás e encontrar alternativas para o futuro."

Sob a iniciativa, serão montados um centro de pesquisas e um instituto científico em nível de graduação, e em 2009 será criada uma "zona verde" especial destinada a abrigar companhias de tecnologia limpa.

O conceito se baseia parcialmente no modelo do Vale do Silício, e Masdar entrou em parcerias com instituições acadêmicas como o Imperial College de Londres, o Instituto de Tecnologia de Tóquio a Universidade Columbia para a rede de pesquisa.

O Instituto de Tecnologia de Massachusetts está auxiliando no instituto educacional, enquanto a Fundação de Tecnologia Limpa Masdar, um fundo de investimentos privados de US$ 250 milhões, foi criado com o Credit Suisse e o Consensus Business Group para adquirir participações em energia limpa, companhias de água e ambientais.

Como muitos esquemas no Golfo, as metas parecem altamente ambiciosas e os projetos incluem um estudo sobre a captura de emissões de CO2, que poderão ser usadas para aumentar a produção de petróleo.

Se der certo, poderão liberar o gás associado à produção de petróleo e melhorar a recuperação do reservatório. Três companhias internacionais já apresentaram propostas para realizar o estudo e o contrato será fechado nas próximas semanas, diz Jaber. Também há planos para construir uma usina de energia solar de 100 MW, com potencial para aumentar para 500 MW, com o grupo alemão Fichtner, já contratado como assessor técnico.

Finalmente, enquanto Abu Dhabi pretende ser um líder global e regional no mercado de renováveis, a iniciativa pretende atrair 1.500 empresas para a zona livre de Masdar. Ela será projetada para ser uma "área de vida e trabalho realmente amiga do meio ambiente", com uma meta zero de equilíbrio de CO2, diz Jaber. Deverá ter carros elétricos e ferrovias leves. "O mercado está evoluindo e estamos oferecendo um pólo e comunidade para todas essas companhias virem e se estabelecerem e estarem ao lado de seus pares e concorrentes", acrescenta Jaber.

Enquanto os planos podem parecer ambiciosos, especialistas em energia e meio ambiente dizem que Abu Dhabi está sendo inteligente ao visar um mercado crescente enquanto os países definem metas para fontes de energia renováveis. "O tempo da energia renovável é agora e o futuro, e grandes organizações, companhias financeiras, de seguros e petróleo e países estão entrando neste caminho e querem fazer parte dele", diz Ralph Sims, um especialista em energia renovável da Agência Internacional de Energia. "Provavelmente é politicamente inteligente apoiar a área no momento... certamente é preciso haver mais pesquisa e colaboração internacional."

Em 2006 as receitas anuais de investimentos em energia eólica, células solares, biocombustíveis e células de combustível cresceram 40%, chegando a US$ 55 bilhões, e estima-se que o mercado das quatro tecnologias alcance US$ 225 bilhões em 2016, disse Nick Nuttall, um porta-voz do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
"O potencial para coisas como energia renovável é enorme na região, especialmente energia solar." O emirado aposta nas alternativas sustentáveis além do petróleo, enquanto aumentam os temores da mudança climática Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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