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06/04/2007

Primeiro-ministro da China pede que colega japonês evite visitas a santuário

Financial Times
Mure Dickie
Em Pequim
O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, pediu ontem ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e a outros líderes do Japão que nunca mais visitem um monumento polêmico aos mortos de guerra de seu país. Os comentários de Wen antes de sua viagem ao Japão na próxima semana - a primeira de um primeiro-ministro chinês ao país em sete anos - salienta a importância diplomática que Pequim dá a evitar que líderes japoneses prestem homenagens no santuário de Yasukuni.

Lá são venerados os mortos de guerra do Japão e alguns criminosos de guerra condenados. A China congelou as conversações de alto nível devido às repetidas visitas ao local feitas por Junichiro Koizumi, o antecessor de Abe.

Em uma rara entrevista à mídia japonesa, Wen disse que as diversas viagens de líderes japoneses ao santuário "afetaram muito" as relações entre os vizinhos asiáticos. "Espero que isso nunca mais aconteça", ele teria dito, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo.

Abe, cuja visita inédita a Pequim em outubro passado marcou o início de uma reaproximação diplomática que Wen espera reforçar na próxima semana, não quis dizer se visitará Yasukuni como primeiro-ministro. Essa posição ambígua que Abe reafirmou ontem foi suficiente para abrir caminho para a retomada de intercâmbios diplomáticos plenos. Mas deixou alguns analistas preocupados de que as relações possam ser desencaminhadas por uma próxima visita.

Wen disse esperar que sua viagem a Tóquio seja um sucesso. Uma declaração conjunta que será assinada por Abe deverá mostrar que as relações avançam para "uma nova etapa". O ministro das Relações Exteriores da China confirmou que Wen falará à Dieta, o Parlamento japonês, durante sua visita de três dias a Tóquio e às cidades de Kyoto e Osaka, no oeste do Japão.

O discurso planejado será o primeiro de um líder chinês à Dieta em mais de duas décadas. Somente dois líderes chineses se dirigiram ao Parlamento japonês: o chefe do Partido Comunista, Hu Yaobang, em 1983 e o chefe do Congresso Nacional do Povo da China, Peng Zhen, em 1985. Wen usaria essa "ocasião extremamente importante" para explicar as opiniões da China sobre como melhorar os laços bilaterais, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Qin Gang.

Pequim e Tóquio tentam usar a situação melhorada para avançar em algumas das várias questões que separam a economia mais rica da Ásia da de maior crescimento. Em sua entrevista, Wen enfatizou suas esperanças de progredir na antiga disputa sobre o desenvolvimento pela China de reservas de gás que estão sob águas contestadas no mar do Leste da China.

Há planos para iniciar um diálogo regular de alto nível entre os ministros da Economia dos dois países, ele disse. Wen também manifestou disposição para ajudar a resolver o impasse entre Tóquio e Pyongyang sobre cidadãos japoneses que foram seqüestrados pela Coréia do Norte. Segundo a agência Kyodo, Wen disse que com um acordo em fevereiro surgiu "a primeira luz da manhã" nas iniciativas internacionais para pôr fim ao programa de armas nucleares da Coréia do Norte.



Wen Jiabao diz que visitas a Yasukuni "afetaram muito" as relações entre os dois países Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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