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06/04/2007

Tailândia bloqueia YouTube por causa de vídeo que zomba do rei

Financial Times
Amy Kazmin em Bancoc e
Shawn Donnan em Hong Kong
O governo instalado pelos militares na Tailândia bloqueou o popular site YouTube depois que um vídeo provocativo que zomba do rei Bhumibol Adulyadej foi publicado e o proprietário do site, Google, se recusou a retirá-lo. O ministro das Comunicações no país, Sittichai Pookaiyaudom, disse que ordenou a proibição do site de compartilhamento de vídeos depois que o Google deixou de retirar o clipe ofensivo na semana passada. "Quando eles decidirem retirar o clipe, retiraremos a proibição", ele disse.

O blecaute ocorre em meio a uma crescente e agressiva censura à Internet na Tailândia, pois o governo militar pretende evitar que Thaksin Shinawatra, o ex-primeiro-ministro exilado, use a web para reunir seus seguidores.

A Tailândia já está sendo abalada por uma crescente polêmica sobre o papel do general aposentado Prem Tinsulanonda, o presidente do conselho privativo do rei Bhumibol, na fermentação do golpe que depôs Thaksin, que era adorado pelos tailandeses da área rural, mas detestado por muitas elites de Bancoc.

Nas últimas semanas, grupos de oposição circularam um abaixo-assinado sem precedentes, pedindo que o rei demita o general Prem, que é considerado um instigador do golpe contra Thaksin - alegação que o chefe militar nega.

As estritas leis da Tailândia contra dizer qualquer coisa potencialmente ofensiva sobre a família real incluem extensas penas de prisão que normalmente servem para dissuadir qualquer discussão sobre o papel da monarquia na vida política. Um tribunal do país sentenciou no mês passado a dez anos de prisão um cidadão suíço que, embriagado, fez pichações sobre imagens do rei.

Mas analistas dizem que a percepção corrente do envolvimento do general Prem no golpe - e a crença de que ele teve o apoio do rei - encorajou alguns tailandeses a desafiar o antigo tabu. "Cada vez mais pessoas questionam a idéia da intocabilidade, da infalibilidade do palácio enquanto esse mal-estar político se prolonga", disse Thitinan Pongsukhirak, um cientista político da Universidade Chulalongkorn.

Uma porta-voz do YouTube disse: "Estamos decepcionados pelo fato de o YouTube ser bloqueado na Tailândia e estamos examinando a questão". Ela acrescentou que a Internet trouxe grande acesso à informação, mas também pode "apresentar desafios culturais novos e únicos".

O vídeo provocativo no YouTube, que foi visto mais de 16 mil vezes ontem à noite, mostra uma série de slides com imagens do rei desfigurado por grafite eletrônico. Alguns usuários tailandeses, irritados, pediram que ele fosse retirado do site.
Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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