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07/04/2007

Pioneiros em biocombustível cobrem 33.600 quilômetros - um recorde com gordura

Financial Times
De Jude Webber
Em Buenos Aires (Argentina)
Em um caminhão do corpo de bombeiros rodando com óleo de fritura chileno, gordura de porco mexicana e azeite de dendê colombiano, Seth Warren e Tyler Bradt completaram a mais longa jornada jamais feita sem diesel ou gasolina.

Nove meses e cerca de 33.600 quilômetros depois de sair do Alasca, os americanos exaustos, mas satisfeitos, entraram com seu "veículo vegetal" no Ushuaia, Terra do Fogo Argentina, a cidade mais ao Sul do mundo.

"Esta é uma prova prática que o óleo vegetal funciona", disse Warren, 29, remador de caiaque profissional de Montana.

Com Bradt, 20, seu colega nos caiaques, ele conseguiu patrocínio para o material de acampamento, roupas e alimentação. Depois de uma rápida busca por um veículo apropriado no Google, eles compraram o caminhão do corpo de bombeiros japonês e projetaram um sistema de combustível verde.

Os preços de petróleo em alta, as reservas de combustível fóssil em queda e crescentes preocupações com danos ambientais vêm reforçando o perfil dos biocombustíveis. O biodiesel, feito de óleo vegetal e que pode ser misturado ou substituir o diesel - e o álcool, fabricado principalmente da cana-de-açúcar e milho, podem ser usados em veículos a gasolina.

A causa dos biocombustíveis ganhou nova força no mês passado, quando o presidente George W. Bush assinou um contrato de cooperação em biocombustíveis com o Brasil, pioneiro no álcool e seu principal exportador.

Warren e Bradt, que montaram a Coalizão de Educação em Biocombustíveis, grupo sem fins lucrativos, começaram a viagem em julho de 2006, descendo a Pan-Americana pelas montanhas e desertos e cruzando 16 países.

"Usamos qualquer tipo de óleo que encontrávamos", disse Warren.

Isso significava dar ao "Baby" - nome que deram ao caminhão em uma praia rastafári em Belize - inovações como óleo de salmão no Alasca e gordura da fritura de porco no México, assim como o óleo usado de restaurantes e hotéis ao longo do caminho e óleo de soja, mais convencional, na Argentina.

Os piores e mais estranhos combustíveis incluíram azeite de dendê, que moveu os dois ao longo da costa quente do Peru, mas solidificou e entupiu os canos no minuto em que chegaram às montanhas.

Os homens projetaram o caminhão com dois tanques de óleo: um alimentava o motor e, no outro, o óleo cru era constantemente esquentado enquanto dirigiam. Depois de esfriar por uma noite, estava pronto para ser usado como combustível.

Um livro, um filme e uma série de televisão estão sendo preparados, e Warren está se perguntando qual será o próximo passo. Ele tem planos de viaja da África do Sul para a Noruega no Norte, a partir de abril de 2009, e quer melhorar a "enorme bagunça gordurosa" do caminhão para conseguir uma operação mais limpa da próxima vez.

O óleo vegetal, especialmente o usado, é muito mais barato que combustíveis fósseis e o caminhão apresentou o mesmo consumo que teria e nenhum problema de motor como resultado de usar gordura vegetal, disse Warren. A única diferença é o cheiro.

"Cheira a comida. É melhor que uma lufada de diesel, mas deixa você com um pouco mais de fome."
Depois de uma viagem do Alasca ao Ushuaia, um caminhão do corpo de bombeiros japonês movido a óleo vegetal alcançou uma marca ambiental Deborah Weinberg

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