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11/04/2007

Surpresas presidenciais surgem do voto popular

Financial Times
Peggy Hollinger
Em Paris
Restando menos de duas semanas para a eleição presidencial francesa, Angelique Bonneau está nervosa. "É muito difícil saber o que fazer no primeiro turno", disse a jovem assistente de escola primária.

"Devo votar no partido em que acredito e, se o fizer, isto permitirá novamente o avanço Le Pen (o candidato de extrema direita da Frente Nacional)? Eu não sei o que fazer."

O sistema eleitoral em dois turnos da França tem o hábito de provocar surpresas e nenhuma eleição foi mais chocante para a psique nacional do que a de 2002. Uma esquerda dividida abriu inesperadamente o caminho para a Frente Nacional superar o candidato socialista Lionel Jospin e passar ao segundo turno contra Jacques Chirac.

De lá para cá, alguns passaram a questionar a eficácia da forma como a França elege seu presidente. Em uma pesquisa publicada no mês passado pelo jornal francês "Le Figaro", quase dois terços dos entrevistados apoiaram uma reforma das instituições políticas, incluindo pedidos para um novo sistema de votação.

Os franceses elegem seu presidente por voto popular desde 1965 - resultado de um referendo convocado pelo general Charles de Gaulle para frustrar um Parlamento rebelde que estava tentando diluir seus poderes executivos.

Para poder disputar a presidência, os pré-candidatos devem obter 500 assinaturas de autoridades eleitas, como prefeitos locais ou deputados, um obstáculo que visa assegurar que os candidatos tenham apoio legítimo.

Mas o sistema pode sofrer abusos. Neste ano, um grande número de prefeitos de comunidades rurais se recusou a apoiar qualquer candidato, alegando que seus próprios partidos ameaçaram atrasar o repasse de recursos estaduais caso assinassem qualquer lista além das deles.

Para ser eleito presidente no primeiro turno um candidato deve obter a maioria absoluta dos votos. Se ninguém conquistar mais que 50% dos votos, como normalmente ocorre, os
dois mais votados disputam um segundo turno duas semanas depois.

O sistema tem a vantagem de dar aos partidos menores uma chance real, como a Frente Nacional descobriu há cinco anos. Neste ano, 12 partidos estão representados na lista eleitoral, incluindo ativistas antiglobalização e o lobby de caça da França.

Mas o sistema tem uma fraqueza que encoraja o voto tático para excluir candidatos do segundo turno em vez de forçar os eleitores a fazer uma escolha real desde o início. Os dois turnos de votação também podem dividir a direita e a esquerda de tal forma que o eventual vencedor pode ser eleito mais por protesto, como o presidente Chirac descobriu em 2002.

Ser o mais votado no primeiro turno não é garantia de vitória no segundo. Em 1974, 1981 e 1995 os líderes no primeiro turno perderam para rivais inicialmente mais fracos, um cenário que alguns suspeitam que poderá se repetir desta vez.

Atualmente Nicolas Sarkozy, o candidato da UMP, estRestando menos de duas semanas para a eleição presidencial francesa, Angelique Bonneau está nervosa. "É muito difícil saber o que fazer no primeiro turno", disse a jovem assistente de escola primária.

"Devo votar no partido em que acredito e, se o fizer, isto permitirá novamente o avanço Le Pen (o candidato de extrema direita da Frente Nacional)? Eu não sei o que fazer."

O sistema eleitoral em dois turnos da França tem o hábito de provocar surpresas e nenhuma eleição foi mais chocante para a psique nacional do que a de 2002. Uma esquerda dividida abriu inesperadamente o caminho para a Frente Nacional superar o candidato socialista Lionel Jospin e passar ao segundo turno contra Jacques Chirac.

De lá para cá, alguns passaram a questionar a eficácia da forma como a França elege seu presidente. Em uma pesquisa publicada no mês passado pelo jornal francês "Le Figaro", quase dois terços dos entrevistados apoiaram uma reforma das instituições políticas, incluindo pedidos para um novo sistema de votação.

Os franceses elegem seu presidente por voto popular desde 1965 - resultado de um referendo convocado pelo general Charles de Gaulle para frustrar um Parlamento rebelde que estava tentando diluir seus poderes executivos.

Para poder disputar a presidência, os pré-candidatos devem obter 500 assinaturas de autoridades eleitas, como prefeitos locais ou deputados, um obstáculo que visa assegurar que os candidatos tenham apoio legítimo.

Mas o sistema pode sofrer abusos. Neste ano, um grande número de prefeitos de comunidades rurais se recusou a apoiar qualquer candidato, alegando que seus próprios partidos ameaçaram atrasar o repasse de recursos estaduais caso assinassem qualquer lista além das deles.

Para ser eleito presidente no primeiro turno um candidato deve obter a maioria absoluta dos votos. Se ninguém conquistar mais que 50% dos votos, como normalmente ocorre, os dois mais votados disputam um segundo turno duas semanas depois.

O sistema tem a vantagem de dar aos partidos menores uma chance real, como a Frente Nacional descobriu há cinco anos. Neste ano, 12 partidos estão representados na lista eleitoral, incluindo ativistas antiglobalização e o lobby de caça da França.

Mas o sistema tem uma fraqueza que encoraja o voto tático para excluir candidatos do segundo turno em vez de forçar os eleitores a fazer uma escolha real desde o início. Os dois turnos de votação também podem dividir a direita e a esquerda de tal forma que o eventual vencedor pode ser eleito mais por protesto, como o presidente Chirac descobriu em 2002.

Ser o mais votado no primeiro turno não é garantia de vitória no segundo. Em 1974, 1981 e 1995 os líderes no primeiro turno perderam para rivais inicialmente mais fracos, um cenário que alguns suspeitam que poderá se repetir desta vez.

Atualmente Nicolas Sarkozy, o candidato da UMP, está na liderança, mas sucessivas pesquisas de opinião mostram que se o candidato centrista da UDF, François Bayrou, passar para o segundo turno, ele poderá vencer. George El Khouri Andolfato

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