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12/04/2007

Moeda brasileira deve atingir novo pico

Financial Times
Jonathan Wheatley
Em São Paulo
O real brasileiro está se aproximando de R$ 2,00 por dólar americano, pela primeira vez desde fevereiro de 2001, apesar da intervenção contínua do banco central brasileiro para impedir a moeda de se fortalecer mais.

A moeda fechou nesta segunda-feira (9/4) ligeiramente acima R$ 2,02 para o dólar, antes de enfraquecer para R$ 2,03 ontem no meio do dia. Mas os analistas dizem que é apenas uma questão de dias até que a barreira seja rompida.

"Certamente deve chegar abaixo de R$ 2,00", disse Christian Stracke, analista de mercados emergentes da CreditSights, firma de Nova York. No entanto, ele advertiu que a valorização da moeda, movida pelos preços altos de commodities, provavelmente será insustentável no médio prazo.

A força do real foi acompanhada pelas ações e bônus brasileiros. O índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou a 47.174 pontos na terça-feira, seu quarto recorde em quatro dias. Os spreads dos bônus soberanos do Brasil sobre títulos do tesouro americano comparáveis caíram para a maior baixa de todos os tempos, de 156 pontos-base, na terça-feira, depois subiram um pouco.

O real recuperou-se gradativamente de uma baixa de R$ 3,95 para o dólar em outubro de 2002, quando os spreads em relação aos bônus americanos atingiram mais de 2.200 pontos-base.

Os títulos brasileiros sofreram durante recente nervosismo com o mercado de hipotecas em dificuldades nos EUA. Mas isso parece ter passado e a confiança na economia global e os altos preços de commodities provocaram o retorno do fluxo de investimentos.

Lisa Schineller da agência de classificação americana Standard & Poor's, disse em nota aos clientes que o acúmulo constante de reservas estrangeiras pelo Brasil era uma medida na direção correta. Mas Stracke disse: "O banco central está fazendo um jogo perigoso, aumentando as reservas sem pagar o verdadeiro custo da intervenção."

O banco não divulga informações sobre as compras de dólar. Mas as reservas e m moeda estrangeira chegaram a US$ 111,1 bilhões (em torno de R$ 222,2 bilhões) no dia 9 de abril, de US$ 104,8 bilhões um mês antes.

O banco absorveu apenas parte desse aumento emitindo bônus em moeda local, permitindo que o resto circulasse como dinheiro. No final de fevereiro, a base monetária tinha expandido em 21% nos 12 meses anteriores. A inflação tem sido contida em parte pela moeda forte.

Entretanto, Stracke advertiu: "Há nuvens cinzentas sobre a economia americana, e imaginar que o mundo pode suportar uma queda nos EUA sem efeito nos preços de commodities é de um otimismo ingênuo." Deborah Weinberg

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