UOL Notícias Internacional
 

17/04/2007

Correa ameaça expulsar Banco Mundial do Equador

Financial Times
Hal Weitzman
Rafael Correa, presidente de esquerda do Equador, acusou o Banco Mundial de chantagem e ameaçou expulsar do país o banco multilateral de empréstimos.

A posição de Correa for fortalecida por um referendo no domingo (15/4) em que a grande maioria apoiou seu programa de reforma. Suas observações sugerem que agora o presidente mudou seu foco, da oposição interna aos seus antagonistas na arena internacional.

O presidente disse que perguntará ao representante do Banco Mundial no Equador por que o banco se recusou a desembolsar um empréstimo de US$ 100 milhões (em torno de R$ 200 milhões) em 2005, quando Correa era ministro das finanças.

"Se não der explicações que consideremos satisfatórias, expulsaremos o representante do Banco Mundial, porque não aceitamos chantagem de ninguém", disse ele.

A queixa de Correa é pessoal. Como ministro de finanças, ele foi a Washington em agosto de 2005 para coletar um empréstimo de US$ 100 milhões, parte do programa de apoio fiscal do banco para o Equador. Entretanto, ele ficou envergonhadamente de mãos vazias, pois o banco suspendeu o empréstimo em resposta à reestruturação de um fundo de estabilização de petróleo do Equador.

Em uma entrevista ao Financial Times na época, Correa disse que, ao negar o empréstimo no último momento, o Banco Mundial tinha quebrado um contrato com o país. "Esta é uma ofensa ao Equador. Um empréstimo havia sido aprovado e estava em operação, e eles o cancelaram, completamente fora de qualquer princípio legal ou ético, porque mudamos uma lei", disse ao FT na época. "Somos um país soberano. Ninguém pode nos punir porque mudamos nossas leis."

A briga com o Banco Mundial foi a principal razão pela demissão de Correa do Ministério das Finanças. Entretanto, ele assumiu uma posição de defensor do povo equatoriano contra os "neoliberais" internacionais e usou a publicidade que sua exoneração criara para iniciar sua campanha à presidência.

No domingo, Correa conquistou sua segunda vitória eleitoral em seis meses, assegurando forte aprovação de sua proposta por ampla reforma política: mais de 78% dos eleitores apoiaram seu plano de criar uma assembleia para reescrever a Constituição.

Falando à mídia após o referendo, Correa - aliado de Hugo Chávez, presidente da Venezuela - também anunciou que seu governo tinha quitado todas suas dívidas com o Fundo Monetário Internacional, com um pagamento de US$ 9 milhões (em torno de R$ 18 milhões) na semana passada.

Ele disse que o país tinha feito isso porque não queria "ter nada a ver com essa burocracia internacional". Na mesma época, sugeriu alguma continuidade em política econômica, ressaltando seu compromisso em manter o dólar americano como moeda nacional do Equador.

Correa voou para a ilha Margarita, na Venezuela, ontem, para uma reunião de energia com outros líderes sul-americanos. Deborah Weinberg

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