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21/04/2007

Disputa entre três na França pode resultar em surpresa

Financial Times
Martin Arnold
Em Paris
Enquanto se preparam para ir às urnas neste fim de semana, os eleitores franceses se perguntam se o primeiro turno produzirá um resultado surpreendente na eleição presidencial quanto o que ocorreu há cinco anos.

AFP 
Apesar de as pesquisas não indicarem, Le Pen ainda espera repetir a surpresa de 2002

O líder da extrema direita, Jean-Marie Le Pen, chegou em segundo lugar, à frente de Lionel Jospin, o primeiro-ministro socialista, por uma estreita margem de 200 mil votos. Jacques Chirac acabou derrotando Le Pen de forma esmagadora no segundo turno, mas àquela altura o resultado da votação deixou uma cicatriz na psique francesa.

Alguns especialistas prevêem outra surpresa neste domingo. Pesquisas de opinião sugerem uma disputa ao Eliseu entre Nicolas Sarkozy à direita, Ségolène Royal à esquerda e François Bayrou no centro. Le Pen está à espreita, ameaçando uma repetição de 2002. Foi uma disputa apertada também em 1974, quando Valéry Giscard d'Estaing derrotou François Mitterrand por pouco mais de 400 mil votos.

Há cinco anos, os eleitores pareciam ter perdido o interesse na campanha, com abstenções, votos nulos ou brancos e votos para partidos da extrema direita ou extrema esquerda atingindo um número recorde de mais da metade dos votos. Desta vez uma nova geração de candidatos mais jovens despertou interesse na campanha. A audiência dos programas de televisão sobre política cresceu. O registro de eleitores aumentou em recordes 4,2%.

Mas a França está cheia de peculiaridades políticas. Se as mulheres fossem excluídas em 2002 e apenas os votos dos homens contassem, Le Pen teria vencido no primeiro turno, não chegado em segundo. Neste ano, três revolucionários trotskistas estão disputando, assim como um criador de ovelhas antiglobalização, um comunista, dois candidatos de extrema direita e um candidato de caça e pesca.

As pesquisas prevêem que Le Pen será eliminado no domingo. Mas os números do ex-pára-quedista estão, no momento, maiores do que em 2002 e seus temas favoritos, como a identidade nacional e a imigração, se tornaram mais populares e foram adotados pelos demais candidatos.

A maior incerteza vem do centro, onde o recente aumento da popularidade de Bayrou aumentou as chances dele derrotar Royal e passar ao segundo turno contra Sarkozy, onde as pesquisas sugerem que ele venceria.

"Os números de François Bayrou são bastante elásticos. Ele pode receber de 13% a 23%, o que o torna a principal incerteza nesta eleição", disse Pierre Giacometti, chefe da agência de pesquisa Ipsos.

A ascensão surpreendente de Bayrou é um sintoma de profunda desilusão política. Ele conquistou apoio de eleitores assustados com a UMP de centro-direita de Sarkozy e não convencidos pelos socialistas de Royal.

A rígida lei de mídia da França também poderá ter um impacto de último minuto na eleição. Por duas semanas, a televisão e o rádio são forçados a dar a todos os candidatos tempo igual no ar. Assim, Le Pen ganhou tanta atenção quanto Sarkozy.

Mas a partir da meia-noite de sexta-feira é imposto o término das campanhas. Nenhuma pesquisa pode ser publicada até o final da votação, às 20 horas de domingo, e os candidatos devem suspender suas campanhas, para darem aos eleitores tempo para refletir.

Uma grande preocupação nesta eleição é o alto grau de indecisão do eleitor, estimado entre 30% a 40% do eleitorado. Esta indecisão é mais forte entre os eleitores de Bayrou.

Apenas 39% dos que estão inclinados a votar nele certamente votarão; 70% dos eleitores de Sarkozy e Royal certamente votarão neles, enquanto o apoio a Le Pen é o mais sólido, com 82%.

Mas Giacometti disse que a atenção dada aos eleitores indecisos é exagerada. "O verdadeiro nível é de 7% a 8% de pessoas que ainda não têm idéia de como votarão. Os demais estão apenas hesitantes", ele disse.

Após o trauma do resultado de Le Pen em 2002, uma votação tática provavelmente será mais forte do que o habitual no domingo, particularmente entre os eleitores esquerdistas. O temor de um segundo turno entre Le Pen e Sarkozy poderá convencer muitos esquerdistas a votarem em Royal em vez de outros candidatos, já que estes poderiam estar desperdiçando seus votos.

O mapa geográfico da política francesa também poderá ser redesenhado. Sarkozy, um ex-prefeito da opulenta Neuilly, próxima de Paris, não compartilha da ligação de Chirac com os agricultores. Desta forma Royal, presidente da região rural de Poitou-Charente, espera trazer algumas das áreas do centro e oeste de volta à esquerda.

As classes média e alta intelectuais de Paris deverão votar em Bayrou, enquanto Sarkozy e Le Pen disputarão as regiões de extrema direita no nordeste, de Lille a Alsace, e no sul, ao longo da costa do Mediterrâneo.

Os setores mais bizarros da eleição serão os territórios da França no exterior, incluindo Nova Caledônia, no Oceano Pacífico; Guadalupe e Martinica, no Caribe; e Réunion, no Oceano Índico.

Representando 2,1% dos eleitores franceses, estas seções eleitorais distantes, que em 2002 deram mais apoio a Chirac do que domesticamente, poderão influenciar o resultado final.

Muitos territórios a oeste da França começarão a votar no sábado para evitar que a diferença de fuso horário faça com que votem já sabendo o resultado.

Isto causou alguns problemas em Guadalupe e Martinica, onde as emissoras de TV locais abandonaram os planos de um programa sobre as eleições na noite de sábado e o adiaram para o domingo, para não influenciarem os eleitores na França. O líder da extrema direita Jean-Marie Le Pen está à espreita, mas o centrista François Bayrou continua sendo a grande incerteza George El Khouri Andolfato

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