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24/04/2007

Nigéria - nuvem cobre eleição presidencial

Financial Times
Dino Mahtani
Em Abuja, Nigéria
Umaru Yar'Adua, o sucessor escolhido pelo presidente Olusegun Obasanjo, foi ontem declarado vencedor por ampla maioria nas eleições presidenciais que observadores estrangeiros e nigerianos e do governo americano chamaram de profundamente deficiente.

Os resultados geraram dúvidas se a transição política da Nigéria ocorrerá pacificamente, enquanto líderes da oposição pedem a anulação das eleições, e o governo acusa alguns políticos de fomentarem um golpe.

As eleições presidenciais e parlamentares ocorreram uma semana após as eleições para governador, marcadas por violência, intimidação e fraude, que deram 27 dos 36 Estados da Nigéria ao Partido Democrático do Povo, de Yar'Adua.

Enquanto monitores da União européia denunciavam a conduta das eleições nacionais em conferência com a imprensa na tarde de ontem, a comissão eleitoral da Nigéria declarava que Yar'Adua tinha vencido com mais de 24,6 milhões de votos, ou 70% do total.

Obasanjo admitira mais cedo, em discurso para toda a nação, que as eleições de sábado "não poderiam ser chamadas de perfeitas", apesar de Maurice Iwu, comissário eleitoral da Nigéria dizer que as eleições tinham sido "livres e justas".

O presidente citou casos de fraude, violência, voto duplo e erros de logística nas eleições de sábado, que deveriam ser a primeira transferência de poder da Nigéria de um líder eleito para outro, em uma história povoada por golpes militares.

Os observadores estrangeiros, entretanto, foram mais longe, dizendo que as eleições não tinham cumprido os padrões internacionais, nem mesmo os regionais. A missão eleitoral da UE disse que acreditava que até 200 pessoas tinham sido mortas no período eleitoral. "O processo não pode ser considerado confiável", disse Max van den Berg, principal observador da UE. Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, acrescentou: "Essas eleições foram falhas e, em alguns casos, profundamente deficientes".

O Grupo Doméstico de Observação das Eleições, que reúne organizações de monitoração nigerianas, pediu que as eleições fossem anuladas. Van den Berg disse que eram necessárias "medidas urgentes de reparação" para que se "restaurassem as condições para eleições confiáveis e transparentes".

A Assembléia Nacional da Nigéria deve se reunir hoje, uma semana antes do programado, em meio a especulações nos círculos políticos que os legisladores talvez denunciem as eleições e peçam novo pleito. Apenas tribunais eleitorais podem cancelar resultados eleitorais, mas a reação da assembléia poderá ter papel definitivo no humor do público em relação à credibilidade do resultado.

Muhammadu Buhari, ex-governante militar que se tornou líder da oposição, ficou em segundo lugar, com 6,6 milhões de votos. Ele disse que foi "a eleição mais vergonhosamente trapaceada da Nigéria" e pediu aos nigerianos que se "levantassem e exigissem seus direitos".

Muitos comentadores políticos da Nigéria acreditam que Yar'Adua terá que reconstruir as relações com líderes da oposição e separar-se das garras de Obasanjo, ou enfrentar uma crise crescente. Yar'Adua declarado vencedor por ampla maioria Deborah Weinberg

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