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26/04/2007

Esquema de comércio de carbono freqüentemente não é tão verde

Financial Times
Fiona Harvey e Stephen Fidler*
Em Londres
Empresas e indivíduos com pressa em se tornarem verdes têm gasto milhões em projetos de "crédito de carbono" que produzem pouco ou nenhum benefício ambiental.

Uma investigação do "Financial Times" descobriu grandes falhas nos novos mercados para gases responsáveis pelo efeito estufa, sugerindo que as organizações estão pagando por reduções de emissões que não estão ocorrendo.

Enquanto isso, outros estão obtendo grandes lucros com o comércio de carbono com gastos muito pequenos e, em alguns casos, limpezas que teriam feito de qualquer forma.

O crescente peso das políticas ambientais provocou uma "corrida ao ouro verde", que assiste a uma expansão dramática no número de empresas que oferecem tanto para companhias quanto indivíduos a chance de se tornarem "neutros em carbono", compensando seu próprio uso de energia com a compra de créditos de carbono que cancelam sua contribuição ao aquecimento global.

O desabrochante mercado regulado para créditos de carbono deverá mais que dobrar de tamanho até 2010, para US$ 68,2 bilhões, enquanto o setor voluntário não regulado deverá aumentar para US$ 4 bilhões no mesmo período.

A investigação do FT encontrou:

  • Muitos casos de pessoas e organizações comprando créditos sem valor que não produzem nenhuma redução de emissões de carbono.

  • Indústrias lucrando apesar de fazerem muito pouco - ou ganhando créditos de carbono com base em ganhos de eficiência com os quais já se beneficiaram substancialmente.

  • Corretores fornecendo serviços de valor questionável ou sem valor.

  • Uma escassez de verificação, o que dificulta para os compradores avaliarem o verdadeiro valor dos créditos de carbono.

  • Empresas e indivíduos estão arcando com a despesa da compra privada de permissões de carbono da União Européia, que despencaram de valor por não resultarem em redução de emissões.

    Francis Sullivan, consultor de meio ambiente do HSBC, o maior banco do Reino Unido que se tornou neutro em carbono em 2005, disse que encontrou "sérias preocupações de credibilidade" no mercado de compensação após avaliá-lo por vários meses. "A polícia, o esquadrão antifraude e os órgãos reguladores precisam avaliar isto. Caso contrário, as pessoas perderão sua confiança nele", ele disse.

    Tais preocupações levaram o banco a ignorar o mercado e financiar diretamente seus próprios projetos de redução de carbono.

    Algumas empresas estão se beneficiando em pedirem aos consumidores "verdes" que paguem pela limpeza de sua própria poluição. Por exemplo, a indústria química DuPont convida os consumidores a pagarem US$ 4 para a eliminação de uma tonelada de dióxido de carbono de sua fábrica em Kentucky, que produz um potente gás responsável pelo efeito estufa chamado HFC-23. Mas o equipamento necessário para reduzir tais gases é relativamente barato. A DuPont se recusou a comentar a se recusou a detalhar seus lucros com o projeto, dizendo que está em um estágio inicial e portanto é muito cedo para discuti-lo.

    O FT também encontrou exemplos de empresas que se estabeleceram como compensadoras de carbono sem terem idéia de como os mercados operam. Em resposta às perguntas do FT sobre suas fontes de créditos de carbono, uma empresa, a carbonvoucher.com, disse não receber pagamentos pelas compensações.

    A Blue Source, uma empresa de compensação americana, convida os consumidores a compensarem as emissões de carbono investindo em maior recuperação de petróleo, que injeta dióxido de carbono em poços esgotados para extrair o petróleo restante. Mas a Blue Source disse que devido ao alto preço do petróleo, este processo freqüentemente é lucrativo por si só, o que significa que os operadores estão ganhando uma receita extra com a venda de "créditos de carbono" para enterrarem o carbono.

    Não há nada ilegal nestas práticas. Mas algumas empresas que estão compensando suas emissões evitam tais projetos porque os consumidores podem considerá-los controversos.

    A BP disse que não compra créditos resultantes de melhorias em eficiência industrial ou da maioria dos projetos de energia renovável em países desenvolvidos.

    *Com reportagem adicional de Rebecca Bream George El Khouri Andolfato
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