UOL Notícias Internacional
 

09/05/2007

Investidores chineses desprezam advertência do Banco Central

Financial Times
Jamil Anderlini e Richard McGregor
O mercado de ações da China desprezou uma advertência do Banco Central sobre o perigo de uma bolha de ações e atingiu na terça, dia 8/5, outro recorde, um sinal da diminuição da capacidade do governo de controlar os preços das ações.

Pelo menos três jornais estatais publicaram reportagens de destaque sobre a advertência de Zhou Xiaochuan, governador do Banco do Povo da China, feita em Basiléia no domingo. Quando Zhou foi perguntado se temia a formação de uma bolha no mercado de ações, ele respondeu que sim.

Mas seus comentários, os últimos de uma série de declarações oficiais manifestando temores sobre o nível do mercado, foram ignorados pelos investidores, que fizeram o índice subir quase 3%.

Declarações sobre a Bolsa feitas por autoridades graduadas há muitos anos definiram os preços das ações na China, onde os investidores tomavam a palavra do governo como um evangelho. Essas declarações eram tradicionalmente feitas através do jornal "Diário do Povo", porta-voz do Partido Comunista, geralmente em artigos assinados por um "correspondente especial" anônimo.

No atual mercado touro, porém, em que novas contas de investimento estão sendo abertas no nível de mais de um milhão por semana, as advertências das autoridades parecem subitamente impotentes.

"Ninguém acredita que Zhou possa fazer alguma coisa para afetar o mercado", disse Fraser Howie, autor de um livro sobre o mercado de capitais chinês. "Existem muitos apostadores com um monte de dinheiro que estão preparados para continuar investindo."

O índice composto Xangai subiu 130% no ano passado e está em alta de 50% este ano. Um de seus principais motores são as baixas taxas de juros da China, que oferece aos poupadores do país juros de apenas 2%, um retorno real negativo comparado com a inflação de mais de 3%.

"Se Zhou realmente quisesse afetar o mercado ele poderia dobrar o índice de depósitos bancários [controlado pelo governo], mas isso arrasaria os bancos estatais", disse Howie.

Em dezembro de 1996 o "Diário do Povo" publicou um editorial na primeira página intitulado "Sobre a correta compreensão do mercado de ações atual", que advertia contra a especulação excessiva. Naquele dia o mercado caiu 9,91%, e outros 9,44% no pregão seguinte, enquanto os investidores devidamente interpretavam o editorial como a posição oficial do governo.

Em comparação, quando o "correspondente especial" declarou no mesmo jornal em junho de 1999 que o aumento nos preços das ações era "saudável", o mercado subiu.

Ainda em janeiro passado, os preços das ações caíram acentuadamente depois de comentários sobre o mercado feitos por Cheng Siwei, um alto membro do Congresso Nacional do Povo.

As autoridades têm outras maneiras de influenciar os preços das ações. Principalmente, todas as emissões de papéis devem ser aprovadas pelo órgão regulador, o que teoricamente permite que aumente a oferta de ações e contenha os aumentos de preços. O governo também poderá usar medidas fiscais para conter a demanda.
Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,22
    3,148
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    0,64
    65.099,56
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host