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23/05/2007

Escândalo de corrupção envolve ministro do Brasil

Financial Times
Jonathan Wheatley
Era esperada para ontem a renúncia do ministro de minas e energia do Brasil, após ser acusado pela Polícia Federal de aceitar uma propina em um esquema de corrupção envolvendo pagamentos de cerca de R$ 170 milhões.

O escândalo é o mais recente de uma série de acusações de corrupção a atingirem o alto escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo segundo mandato de quatro anos começou em janeiro.

A polícia diz que uma investigação de um ano, chamada Operação Navalha, revelou um esquema no qual dinheiro público era pago a uma empresa de construção, Gautama, para obras fraudulentas ou inexistentes em troca de propinas.

Segundo os investigadores, foram obtidas evidências com grampos telefônicos e câmeras de segurança que demonstravam que o proprietário da Gautama e sua equipe conspiraram com membros do ministério para entregar uma quantia de R$ 100.000 a Silas Rondeau, ministro de minas e energia, em seu escritório em Brasília.

Na semana passada, a polícia prendeu 48 pessoas, incluindo um deputado estadual, um ex-governador do Estado do Maranhão e membros da família empregados pelo atual governador, junto com funcionários federais e estaduais e empresários. Mais prisões devem ocorrer.

Rondeau negou envolvimento e disse que tinha sido culpado antes de ter chance de se defender.

As acusações tornaram-se públicas quando Rondeau e Lula estavam no Paraguai, na segunda-feira, para assinar acordos cobrindo a represa hidroelétrica binacional de Itaipu. Os dois tinham uma reunião marcada para ontem em Brasília, quando provavelmente Rondeau apresentaria sua renúncia.

Diferentemente do principal escândalo do primeiro mandato de Lula, no qual ministros e altos membros do partido de esquerda do presidente, PT, foram acusados de pagar aos congressistas por seu apoio, os escândalos mais recentes envolveram não apenas membros do governo, mas também da oposição.

A série de denúncias provocou crescente desilusão pública com os políticos no Brasil, onde a frase "rouba, mas faz" é freqüentemente usada como sinal de aprovação.

"Não podemos ser tão ingênuos a ponto de imaginar que essas coisas não aconteciam no passado", disse Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal, aos repórteres.

"A diferença é que agora o serviço de inteligência da Polícia Federal está em ação, e tudo está vindo à tona."

O escândalo provocou pedidos de reforma do sistema político do Brasil, sob o qual os congressistas têm pouca responsabilidade junto aos eleitores ou ao partido e recebem ampla imunidade. Deborah Weinberg

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