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24/05/2007

Editorial: A grande chance de Lula

Financial Times
Do Financial Times
O Brasil deve aproveitar sua oportunidade para o desenvolvimento.

Com expansão constante, apesar de pouco espetacular, cinco anos de superávit corrente e uma moeda em apreciação (que no início do mês atingiu um pico que não se via desde bem antes da crise financeira de 2002): a economia do Brasil sem dúvida está com um pé firme.

No entanto, há muito mais a fazer para o Brasil de fato consolidar esse progresso recente, competir mais eficazmente com os gigantes emergentes, como China e Índia, e fazer a transição para um país desenvolvido, como aspira o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva.

As reformas para reduzir o déficit do sistema de pensões público caro e disfuncional e o corte da carga tributária e da burocracia do setor privado continuam essenciais, se o Brasil quiser expandir mais rápido que os modestos 3 a 4% ao ano alcançados atualmente. O mesmo é verdade para as leis trabalhistas inflexíveis do país, que têm como modelo, em grande parte, as práticas da Itália de Mussolini.

Recentemente, a força do real expôs as ineficiências em maior extensão, e a reforma tornou-se mais urgentemente necessária.

É por isso que é tão encorajador o fato de Lula admitir tais medidas. Em um foro criado para examinar as opções de desenvolvimento econômico e social de longo prazo do Brasil no início do mês, o presidente disse que não considerar essas reformas seria uma "falha".

Assinalando que regulamentos mais flexíveis são necessários para tornar mais fácil o emprego de jovens trabalhadores, Lula disse: "Não é possível dizer que as coisas que foram feitas em 1943 (ano da reforma trabalhista foi introduzida) não precisam ser mudadas."

Não será fácil promover a mudança. Os líderes sindicais do Partido dos Trabalhadores de Lula já expressaram sua oposição. Há poucos meses, membros importantes negaram a possibilidade de reforma trabalhista.

O presidente e seus assessores, entretanto, se provaram adaptáveis no passado. Cinco anos atrás, poucos teriam previsto a forma pela qual o governo Lula derrubou a inflação. Os aumentos de preços deste ano ficarão em média menos de 4%, um nível comparável aos da Europa e EUA.

Muita liquidez e preços de commodities altos continuam a favorecer o Brasil num futuro previsível. Essas condições, entretanto, podem não durar para sempre. O Brasil tem uma janela única de oportunidade. As elites políticas do Brasil devem abandonar os interesses próprios e levar Lula a promover uma estratégia mais ambiciosa. Deborah Weinberg

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