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02/06/2007

Editorial: Biocombustíveis não precisam nos deixar famintos

Financial Times
Do Financial Times
O rei milho destronou o rei carvão como uma das grandes forças na política dos EUA. O resultado é que não há uma política sensata sobre o etanol, que subitamente se tornou o atalho favorito de todo mundo para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e o vício americano em petróleo importado. Na verdade, as propriedades do etanol são exageradas e as conseqüências da corrida à produção de etanol, subestimadas. Isso não apenas está impelindo a demanda por terras agrícolas escassas como também faz aumentar o preço dos alimentos nos EUA e na Europa.

A Comissão Européia pediu que os biocombustíveis substituam 10% do petróleo até 2020. Mas a maior produção de biocombustíveis já provocou um coro de queixas dos fabricantes de macarrão italiano, cerveja alemã, tortilhas mexicanas e carne de gado alimentado a milho nos EUA. Os conglomerados alimentícios emitiram uma série de advertências sobre lucros, mas as companhias de energia tradicionais ainda não sentiram o apuro. Como explicar esse paradoxo?

O principal motivo é que a atual estratégia pró-etanol favorece o desperdício. O combustível baseado em milho dos EUA exige a plantação de extensas áreas de terra para substituir uma fração do petróleo utilizado nos carros. Além disso, o etanol é apenas um pouco menos poluente do que a reversão total ao óleo. A energia necessária para transformar cereais em combustível poderia teoricamente vir de outras fontes renováveis como a eólica ou solar. Mas na maioria dos casos as refinarias de biocombustíveis usam óleo ou carvão, o que causa ainda mais poluição.

As atuais opções cultivadas na União Européia não são muito melhores. Colza e beterraba são preferíveis ao milho, mas ainda exigem muita energia e terra. Avanços tecnológicos ainda poderão transformar capim, lascas de madeira e outras formas de matéria orgânica em alternativas rentáveis e ambientalmente seguras, mas já existem opções melhores.

A principal delas é a cana-de-açúcar, que contém muito mais energia utilizável que a beterraba. O problema da cana é que os climas europeus em geral são inóspitos ao seu cultivo. Outras regiões, principalmente o Brasil e alguns países da América Central, oferecem ambientes mais naturais.

Poderá haver um problema de escala mesmo no Brasil. Enquanto a terra arável ainda é abundante e uma melhor gestão agrária pode ir longe, a maior produção de etanol poderá em última instância significar menos floresta tropical. Os benefícios de emitir menos carbono na atmosfera poderiam ser contrabalançados pelos custos de se eliminar um redutor natural de carbono, sem falar no valor dessas florestas para a biodiversidade.

Permitir o uso de combustível baseado em cana nos carros americanos e europeus exigiria reduzir as tarifas de importação do etanol. Enquanto o milho reinar nos EUA - e Iowa, no coração do cinturão do milho, saiu na frente na corrida para escolher o próximo presidente-, é improvável que isso aconteça. O maior obstáculo à adoção generalizada do etanol nos EUA é a indústria de etanol americana. De sua parte, a UE deveria seguir a liderança sueca e derrubar suas tarifas agora, antes que seja tarde. A UE deve derrubar tarifas sobre etanol para evitar falta de cereais Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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