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04/06/2007

Pressão em Berlim em torno de países emergentes

Financial Times
Hugh Williamson*
Em Berlim
A chanceler alemão Angela Merkel, já lutando para evitar o fracasso em torno da mudança climática, está enfrentando um novo revés no encontro de cúpula em relação aos seus planos de laços mais estreitos com as economias emergentes, como soube o "Financial Times".

Vários países, incluindo Japão, Índia e Brasil, são contrários ao plano dela para grupo dos oito maiores países industrializados (G8), cujo encontro terá início na quarta-feira na costa báltica da Alemanha, iniciar um relacionamento formal com o grupo dos cinco países emergentes -China, Índia, África do Sul, Brasil e México.

Merkel tornou sua proposta de um "diálogo significativamente mais forte (do G8)" com estes cinco países um tema central de sua agenda para o G8, mas provavelmente terá que diluir a iniciativa, disseram pessoas familiarizadas com o encontro.

Os líderes do G8 se encontrarão na sexta-feira com seus pares dos cinco países emergentes para breves conversações.

A Alemanha é contrária a dar aos cinco países ingresso pleno no G8, mas quer estabelecer conversações formais em nível ministerial entre os encontros de cúpula em questões como direitos de propriedade intelectual, liberdade de investimento, energia e "administração das implicações sociais da globalização", segundo um alto funcionário alemão.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede em Paris, atuaria como secretariado para aspectos do diálogo, que está planejado inicialmente para dois anos.

Alguns membros do G8 e dos cinco países emergentes são contrários ao diálogo formal porque o consideram como um primeiro passo para a criação de um G13, como colocou um alto funcionário do G8.

Os países do G8 não querem abrir mão da natureza exclusiva de seu grupo, com o Japão em particular contrário ao estabelecimento pelo G8 de laços mais estreitos com a China, sua rival regional, disseram pessoas familiarizadas com o encontro.

Além disso, Brasil e Índia são contrários ao papel da OCDE.

Everton Vargas, secretário do ministério das Relações Exteriores do Brasil, se queixou de que o plano da Alemanha poderia complicar a abordagem do Brasil para um futuro ingresso na OCDE.

"Do ponto de vista do Brasil, o estabelecimento deste tipo de diálogo
estruturado não pode ser feito de forma a prejudicar qualquer negociação para ingresso na OCDE", ele disse.

A Índia tem um ponto de vista semelhante em relação à OCDE e é contrária à interferência do diálogo com o G8 nas negociações com a ONU, Organização Mundial do Comércio e outros. "O G8 não deve ser um processo de negociação", disse uma autoridade familiarizada com a posição de Nova Déli.

Os cinco países emergentes também temem que uma maior aproximação com o G8 possa prejudicar sua reputação de defesa dos interesses dos demais países em desenvolvimento.

Peter Harder, o representante do Canadá no G8 até fevereiro e atualmente consultor da firma de advocacia Fraser Milner Casgrain, disse que o encontro de cúpula provavelmente se oporá ao plano alemão "porque é tradição do G8 não atrelar futuras presidências a certas decisões".

*Reportagem adicional de Jonathan Wheatley, em São Paulo, e Jo Johnson, em Nova Déli. George El Khouri Andolfato

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