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05/06/2007

Índia prepara-se para combater esforços no sentido de deter suas emissões

Financial Times
Jo Johnson
Em Nova Déli
A Índia nesta semana deve combater as tentativas dos países desenvolvidos de incluí-la em um compromisso para deter as emissões de gases de efeito estufa, citando suas baixas emissões per capita e a necessidade de um crescimento de quase dois dígitos para tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza.

O governo indiano está prometendo "energia para todos" até 2012, mas cerca de 50% da população de 1,1 bilhão de habitantes não tem eletricidade e conta com a madeira, esterco de vaca desidratado e outros combustíveis para energia.

A falta de eletricidade deixa as mulheres e meninas indianas desgastadas com a tarefa "morosa, insalubre e de quebrar as costas que é catar e usar combustíveis não comerciais, que continuam sendo a fonte de energia primária para cozinhar em mais de dois terços dos lares", de acordo com a comissão de planejamento.

"A posição indiana é que participará do desenvolvimento das tecnologias de energia limpa, mas não aceitará tetos, cortes ou metas", disse Praful Bidwai, analista ambiental de Nova Déli. "É uma posição extremamente nacionalista".

As emissões de gases de efeito estufa per capita do país foram de 1,1 tonelada, apenas 23% da média mundial de 2004, enquanto as emissões per capita dos EUA foram de 20 toneladas e, na China, de 4,1.

Mesmo assim, a eficiência de energia na Índia fica muito atrás tanto do mundo desenvolvido quanto do mundo em desenvolvimento.

As emissões de carbono por dólar de produto interno bruto, uma medida importante de eficiência energética, são três vezes mais altas na Índia do que nos EUA. O carvão é responsável por 60% da capacidade instalada e 70% da geração. A demanda total por carvão anual deve pular para 670 toneladas até 2012, de acordo com a comissão de planejamento, um aumento de 55% sobre as 432 toneladas consumidas em 2005/2006.

A pressão internacional sobre a Índia deve se intensificar, entretanto, com o início das negociações para a extensão do tratado da ONU contra o aquecimento global e emissões para além de 2012, quando termina a primeira fase do protocolo de Kyoto, de 1997.

A Índia, signatária de Kyoto, não é obrigada a cortar as emissões de carbono e de gases de efeito estufa, pois essas provisões se aplicam somente às nações desenvolvidas. A Índia argumenta que, como não é responsável pela grande quantidade de emissões na atmosfera, os países desenvolvidos devem tomar a dianteira.

"A Índia está se escondendo atrás de seus pobres", disse Bidwai. "As maiores emissões de gases de efeito estufa vêm do consumo de luxo e desperdício das elites e da classe média, que nunca tiveram tanto."

Fontes e energia renováveis, como energia eólica, biomassa e biocombustíveis, que hoje são responsáveis por uma "percentagem muito pequena" da base energética da Índia, devem conseguir fornecer não mais do que de 2 a 3% das necessidades do país até 2012/2013, de acordo com números da comissão de planejamento. Deborah Weinberg

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