UOL Notícias Internacional
 

07/06/2007

Colômbia quer apoio de Bill Clinton para auxílio de US$ 700 milhões

Financial Times
Eoin Callan, em Washington
e Anastasia Molony, em Bogotá
A Colômbia pedirá nesta semana a Bill Clinton que apóie a iniciativa de lobby de Bogotá com o seu famoso charme no momento em que o país latino-americano procura persuadir relutantes parlamentares democratas norte-americanos a apoiar um líder enodoado por escândalos.

Nesta quinta-feira (7/6), o presidente Alvaro Uribe será o anfitrião de uma festa de gala em Manhattan da qual participarão o ex-presidente dos Estados Unidos e Shakira, a diva pop colombiana.

O evento faz parte de uma campanha da Colômbia no sentido de persuadir os parlamentares democratas norte-americanos a aprovar um acordo de livre comércio e um pedido do presidente George W. Bush de cerca de US$ 700 milhões, a maioria em ajuda militar.

Os democratas excluíram o pacto comercial de uma lista de acordos que pretendiam apoiar após revelações públicas a respeito dos vínculos entre membros do governo Uribe e paramilitares de direita.

Membros graduados do governo Uribe foram exonerados após serem vinculados a massacres de civis enquanto líderes paramilitares denunciaram, em troca de anistia, uma ampla conivência do governo durante uma longa campanha de violência política.

As revelações coincidiram com um clima hostil no Congresso em relação à política comercial dos Estados Unidos. O movimento trabalhista norte-americano aproveitou o momento para convencer os democratas a barrarem o acordo comercial devido àquilo que afirmam ser tentativas débeis de investigar o assassinato de sindicalistas na Colômbia, que continua sendo um dos países nos quais mais se comete esse tipo de crime, apesar de uma recente queda nas estatísticas.

Isso está criando novas incertezas em relação ao mais próximo aliado de Washington na região em um momento em que os Estados Unidos procuram conter a influência de Hugo Chávez, o líder populista da Venezuela. A Colômbia respondeu contratando a Burson-Marsteller, uma das principais firmas de lobby de Washington, e pagando a outros lobistas norte-americanos até US$ 40 mil mensais pelos seus serviços.

Em sintonia com os conselhos desses profissionais, a visita de Uribe, que teve início na quarta-feira, trocará as usuais armadilhas típicas de uma visita de Estado pelo trabalho de lobby pessoal junto aos membros do Congresso.

Antes da festa em Manhattan, Uribe deverá também almoçar em Wall Street com banqueiros e executivos. Bill Rhodes, vice-presidente do Citigroup, afirma: "O objetivo é apelar à comunidade empresarial para que esta seja ativa no apoio à Colômbia por intermédio dos membros do Congresso".

Analistas colombianos disseram que o presidente parece estar desesperado.

Mas um ex-assessor de Clinton contratado pelo governo colombiano disse que o fato de Uribe aparecer em público com o ex-presidente norte-americano é um antídoto bastante necessário contra o desprezo recentemente demonstrado por Al Gore, o ex-vice-presidente de Clinton, que cancelou um encontro com o líder colombiano devido a "alegações preocupantes".

Uma pessoa envolvida na campanha de lobby afirmou: "Para os democratas, Bill Clinton é um astro de rock. Se ele apoiar Uribe, os parlamentares examinarão novamente a questão".

Uribe também se reunirá com Charles Rangel e com Sandy Levin, o congressista veterano que está moldando a política comercial democrata. Ambos são politicamente próximos a Clinton.

"Charlie Rangel e Sandy Levin foram muito generosos ao aceitarem se encontrar com Uribe neste momento", disse uma pessoa envolvida no diálogo. "A minha esperança é que eles só estejam fazendo isso porque vale a pena".

Uribe também se reunirá com o senador Patrick Leahy, um dos seus maiores críticos no Congresso, que está impedindo a remessa de cerca de US$ 55 milhões em auxílio, e exigindo que as autoridades colombianas intensifiquem a punição dos violadores dos direitos humanos. Leahy também está ameaçando impor novas condições para que os US$ 700 milhõe em ajuda solicitados por Bush sejam aprovados neste mês para o Plano Colômbia, uma estratégia de contra-insurgência criada pelo governo Clinton. Um assessor democrata afirmou: "Toda a proposta do Plano Colômbia, conforme nos foi apresentada, dizia respeito à erradicação da droga. Mas a produção de coca aumentou 8% e é evidente que o dinheiro foi direcionada para uma guerra suja". UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host