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11/06/2007

Relatório alerta sobre trabalho infantil para as Olimpíadas na China

Financial Times
Andrew Taylor
Em Londres
Produtos licenciados que estão sendo produzidos para os Jogos Olímpicos de Pequim do próximo ano estão sendo fabricados com trabalho infantil e em "sweatshops" (fábricas onde os trabalhadores são explorados e as condições são impróprias) na China, disse a Playfair Alliance em um relatório publicado nesta segunda-feira.

25.mar.2007 - Reuters 
Voluntários erguem bandeira olímpica durante caminhada internacional, em Pequim


A pesquisa encontrou crianças com até 12 anos produzindo mercadorias ligadas às Olimpíadas. Além deles, a Playfair disse que os adultos que trabalham na produção dos produtos para os Jogos de Pequim ganham até metade do salário mínimo legal na China.

Alguns são obrigados a trabalhar até 15 horas por dia por sete dias da semana, enquanto os donos das fábricas falsificam a documentação e forçam os trabalhadores a mentirem sobre seus salários e condições, disse a aliança.

A Playfair reúne três redes internacionais que visam melhorar as condições de trabalho nos setores de vestuário e acessórios esportivos: a campanha Clean Clothes (roupas limpas); a Confederação Sindical Internacional; e a Federação Internacional dos Trabalhadores do Setor Têxtil.

Os produtores internacionais e varejistas de bens de consumo estão cada vez mais sensíveis com o fato de sua imagem poder ser manchada por publicidade negativa sobre as condições de trabalho. A Nike, a fornecedora oficial das bolas de futebol da primeira divisão do futebol inglês, apenas recentemente retomou a produção de bolas de couro costuradas à mão no Paquistão após a suspensão do trabalho por preocupação com trabalho infantil.

Pesquisadores disfarçados trabalhando em fábricas nas províncias chinesas de Guangdong e Shenzhen denunciaram um fabricante de material de escritório com a marca das Olimpíadas empregando mais de 20 crianças -a mais nova com apenas 12 anos. Elas foram contratas durante as férias escolares e trabalhavam das 7h30 às 22h30, realizando o mesmo trabalho que adultos. O fabricante impunha horas extras forçadas, multas e pagava menos da metade do salário mínimo legal.

Uma empresa de Shenzhen, licenciada para produzir 50 itens diferentes para os Jogos, teria usado registros falsos de salário para enganar os fiscais enviados para checar os salários e condições. Os trabalhadores se queixavam das condições de saúde e segurança, incluindo riscos de incêndio, problemas de pele devido aos produtos químicos e problemas respiratórios por causa do pó, disse a Playfair.

Outro fabricante de Shenzhen, produzindo gorros e bonés, teria instruído os funcionários a mentirem aos fiscais sobre salários e condições e demitido trabalhadores que disseram a verdade.
Gus Ryder, o secretário-geral da Confederação Sindical Internacional, disse: "Nós alertamos na época o Comitê Olímpico Internacional (COI) que o fracasso na adoção de medidas necessárias para os padrões de trabalho levaria a situações como as que identificamos no relatório".

O relatório da Playfair coincide com a chegada nesta semana ao Reino Unido de dirigentes do COI para um relatório sobre o progresso dos trabalhos para os Jogos de 2012. Alguns temem que a produção de produtos licenciados para os Jogos de Londres em locais de custo mais barato levará a uma exploração semelhante.

Maggie Burns, que preside a Labour Behind the Label, uma das representantes britânicas da Playfair, disse: "As Olimpíadas de Londres gastaram 400 mil libras (US$ 788 mil) apenas no logotipo. Não há motivo para os organizadores não assegurarem jogos livres de trabalho ilegal se agirem agora".



George El Khouri Andolfato

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