UOL Notícias Internacional
 

13/06/2007

Ahmadinejad é advertido sobre populismo fiscal

Financial Times
Najmed Bozorgmehr e Gareth Smyth
Em Teerã
Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, recebeu uma carta nesta semana de 60 economistas criticando seu governo por colocar "o bem estar de curto prazo acima do desenvolvimento sustentável de longo prazo".

A carta ressalta os dilemas graves que o presidente enfrenta em fazer promessas para o bem estar de curto prazo enquanto manobra para fortalecer seu apoio político, quase na metade de seu mandato de quatro anos.

A indecisão do governo sobre duas questões - o preço do petróleo e as taxas de empréstimos bancários - é fonte de particular confusão.

Mais de três semanas após o lapso da data original do racionamento de gasolina - que deveria conter uma conta de US$ 5 bilhões (em torno de R$ 10 bilhões) por importar 35 milhões dos 75 milhões de litros que o Irã consome diariamente - o governo está hesitando em torno de qualquer decisão que possa ser impopular. As autoridades nesta semana fizeram declarações diferentes sobre quando e como o racionamento - que deveria se iniciar amanhã - começará.

Os motoristas estão formando longas filas nos postos de gasolina, enquanto ainda digerem o aumento do preço do mês passado de 800 IR para 1.000 IR (R$ 0,22) o litro. Os iranianos ainda estão entre os que têm a gasolina mais barata do mundo, mas o aumento abalou sua noção de que devem se beneficiar pela segunda maior reserva de petróleo do mundo.

Enquanto isso, os banqueiros estão ansiosos com os planos do governo de forçar os bancos privados e estatais a emprestarem dinheiro com juros abaixo do índice real da inflação. Empréstimos atraentes para os pobres e pequenas empresas são uma das bandeiras de Ahmadinejad em suas excursões pelas províncias, apesar de a política ter feito o capital fugir dos bancos para imóveis, para o ouro e para fora do país.

Banqueiros privados escreveram ao ministro da economia na semana passada exigindo um congelamento das taxas de empréstimo para "tornar possível a sobrevivência dos bancos privados."

Mesmo com a inflação oficialmente a 13,6% no ano passado, Ahmadinejad está insistindo com o banco central para que reduza a taxa de empréstimo de 14% nos bancos estatais e 17% nos bancos privados para 12%. O Conselho Guardião, que vigia o cumprimento da constituição, deve decidir por um meio-termo nesta semana.

"O que o governo descreve como política econômica não está de acordo teorias profissionais e são políticas populistas", disse Mohammad Tabibian, ex-diretor da Organização de Administração e Gerenciamento, um corpo de coordenação entre governos.

O dinheiro, entretanto, pode comprar tempo, e o governo conta com a receita do petróleo cru - que subiu 13,6%, para US$ 54 bilhões (aproximadamente R$ 108 bilhões) no último ano iraniano, que termina no dia 20 de março.

Para Ahmadinejad, a renda do petróleo pode patrocinar esquemas que reforcem seu apoio na campanha parlamentar de 2008 e presidencial de 2009.

Muitos observadores duvidam dos números oficiais de 14% de inflação e de 12% desemprego. Um economista disse ao Financial Times que a inflação estava acima de 20% enquanto o desemprego estava em 25% entre graduados.

Em março, o fundo Monetário Internacional emitiu um relatório sobre o Irã defendendo um ajuste fiscal, uma política monetária mais rígida e o fim gradual de subsídios em energia.

O FMI observou que suas recomendações reduziriam o crescimento de curto prazo para 4% em 2007-8 e 2008-9 - um mau momento para Ahmadinejad, que quer se reeleger em 2009. O governo pode esperar maiores dividendos políticos das atuais políticas. Deborah Weinberg

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