UOL Notícias Internacional
 

16/06/2007

Países árabes tentam lidar com a crise regional

Financial Times
Roula Khalaf e Heba Saleh
O colapso do governo de unidade nacional palestino desferiu um golpe contra a revigorada diplomacia da Arábia Saudita e deixou os países árabes lutando para obter uma resposta.

Há apenas dois meses, os governantes árabes se reuniram em Riad para um encontro da Liga Árabe que celebrou o acordo intermediado pelos sauditas que unia as duas facções palestinas, o Hamas e o Fatah, em um governo de unidade nacional, colocando fim a semanas de violência facciosa.

Saudado como um exemplo de uma política externa saudita mais afirmativa, o acordo aumentou as esperanças de uma possível retomada do processo de paz entre palestinos e israelenses.

O acordo, acertado na cidade sagrada de Meca, foi promovido pelo rei Abdullah, que estava emocionalmente perturbado com a disputa interna entre o Hamas e o Fatah. Mas o encontro em Riad mal tinha acabado e o ceticismo em relação à viabilidade do governo de coalizão já se espalhava entre os principais aliados do rei.

O monarca saudita teria ficado enfurecido com o fato dos Estados Unidos não terem apoiado o acordo nem encerrado seu boicote de um ano aos palestinos - um fator chave segundo as autoridades árabes para o fracasso do acordo.

A falta de apoio americano deixou Israel sem pressão para colaborar com a sobrevivência do governo palestina ao, por exemplo, suspender seu congelamento da transferência dos impostos que deve à Autoridade Palestina - estimados em US$ 700 milhões.

"Os americanos são aqueles que agora estão satisfeitos com o que aconteceu, porque estavam furiosos com o acordo de Meca", disse uma autoridade árabe na sexta-feira. "Mas é um estado vergonhoso das coisas. Nós temíamos isto o tempo todo."

Mas a Jordânia e o Egito também previram que o governo de unidade nacional teria vida curta, argumentando que não haveria acomodação entre as visões muito diferentes do secular Fatah e do islamita Hamas.

Os ministros das relações exteriores árabes realizariam um encontro de emergência no Cairo na noite de sexta-feira, em meio à escalada das tensões não apenas nos territórios palestinos, mas também no Iraque e no Líbano.

A semana passada foi particularmente sangrenta, mesmo segundo os padrões do Oriente Médio. O atentado a bomba de quarta-feira ao templo de Askariya, na cidade iraquiana de Samarra, um dos locais mais sagrados do Islã xiita, aumentou os temores de outra onda de violência sectária.

No Líbano, o governo apoiado pela Arábia Saudita e outros países árabes sofreu outro revés com o assassinato de um legislador da situação, e prossegue a luta entre o exército e um grupo jihadista entrincheirado em um campo de refugiados palestinos no norte do país.

Mas não se sabe se surgirá um consenso no Cairo sobre a crise palestina. "O evento (o colapso do governo) já é passado. Os árabes agora se perguntam como isto aconteceu", disse um alto funcionário árabe. "Abu Mazen (como o presidente palestino Mahmoud Abbas é conhecido) devia ter dissolvido o governo há muito tempo - antes dos combatentes do Hamas tomarem as ruas de Gaza."

Para os países árabes vizinhos como o Egito, a perspectiva de uma Faixa de Gaza controlada pelo Hamas, enquanto o Fatah governa apenas a Cisjordânia, é particularmente ameaçadora. "Este é um problema grave para o Egito", disse Abdel Moneim Said, chefe do Centro Al-Ahram de Estudos Políticos e Estratégicos do Cairo. "Nosso pior pesadelo virou realidade. Nós finalmente temos um Hamastan em nossa fronteira - uma unidade política governada por fundamentalistas religiosos, atacando Israel e mobilizando tanto palestinos quanto egípcios em direções contrárias as de nossa política externa."

Said acha que os mediadores egípcios, que têm trabalhado furiosamente nos últimos dias para deter a violência entre o Fatah e o Hamas, terão enorme dificuldade para desfazer alguns dos estragos da última semana.

"A meta será conter a carnificina e uma possível guerra civil", ele disse. "Nem o Hamas nem o Fatah ficarão satisfeitos, um em controlar apenas Gaza, o outro em controlar apenas a Cisjordânia." George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    -0,22
    3,175
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h03

    0,93
    65.277,68
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host