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19/06/2007

Alerta para produtores de biocombustível desistirem da cana-de-açúcar

Financial Times
Fiona Harvey e Ed Crooks
Transformar grãos e cana-de-açúcar em combustível não é a resposta para reduzir as emissões pelo transporte de gases responsáveis pelo efeito estufa, disse um dos mais influentes especialistas econômicos em mudança climática.

Sir Nicholas Stern, autor de um importante relatório sobre os aspectos econômicos da mudança climática no ano passado e consultor do governo britânico, disse ao "Financial Times": "Eu não acredito que a cana-de-açúcar e o milho poderão suportar o peso do transporte".

O debate em torno do uso de biocombustíveis aumentou recentemente. A indústria de alimentos alertou que as tentativas dos governos europeus e americano em aumentar a segurança da energia e reduzir as emissões de carbono usando plantas para produção de combustível de veículos estão provocando uma alta no preço dos alimentos.

Ambientalistas também têm criticado muito os biocombustíveis, dizendo que produzi-los em países tropicais, como a Indonésia e o Brasil, está encorajando o desmatamento.

Sir Nicholas reconheceu que as plantações podem contribuir para a redução das emissões de gases do efeito estufa, mas alertou que dedicar terra demais ao cultivo de tais plantações seria contraproducente. "(Os biocombustíveis) têm um papel, mas eu trabalhei muito na Índia, como você sabe, e em outros países em agricultura, onde não é preciso ter muito conhecimento para saber que a cana-de-açúcar exige muita água e terra fértil."

Em vez disso, ele disse, a produção de biocombustíveis deve se concentrar em plantações que possam ser cultivadas em terra onde alimentos não possam ser cultivados. "A chave é o cultivo em terra marginal, abundante na Ásia Central, no Centro-Oeste do Brasil, ao redor do Saara, em partes da Indonésia - há áreas imensas."

Algumas plantas usadas na produção de biocombustíveis, como a mamona, podem ser cultivadas em terra não suficientemente produtiva para a agricultura convencional. Mas sir Nicholas elogiou o setor de biocombustíveis, particularmente no Brasil, por "liderar a investida em idéias" e está otimista com as perspectivas de uma segunda geração de biocombustíveis, que transformaria refugos em combustível.

Sir Nicholas, falando ao "FT" antes de deixar seu cargo no Tesouro britânico, disse estar "muito mais otimista do que há um ano" em relação às perspectivas de uma ação internacional para lidar com a mudança climática. Ele pediu por "uma verdadeira união internacional de esforços e idéias em pesquisa e desenvolvimento, para que haja não apenas uma concorrência saudável, mas também cooperação (...) nós realmente precisamos que tais flores floresçam. Países diferentes usarão coisas diferentes (para reduzir as emissões)".

O relatório Stern sobre os aspectos econômicos da mudança climática concluiu que seria mais barato reduzir as emissões agora do que aguardar décadas pelo desenvolvimento de nova tecnologia, calculando o custo da ação necessária em cerca de 1% do produto interno bruto global caso uma ação ocorra rapidamente, enquanto as conseqüências de uma inação seriam uma redução do PIB entre 5% e 20%.

Sir Nicholas foi o economista-chefe do Banco Mundial antes de ingressar no Tesouro do Reino Unido, posto que ele deixou para se juntar à Escola de Economia de Londres. George El Khouri Andolfato

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