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22/06/2007

Espanha é pioneira em política para imigrantes africanos

Financial Times
De Leslie Crawford
Em Madri (Espanha)
O governo espanhol está estimulando as empresas a recrutarem trabalhadores temporários da África, em um esforço para desestimular a migração ilegal.

Uma delegação de representantes espanhóis chegará ao Senegal nesta sexta-feira para recrutar trabalhadores para a construção e para a colheita de verão.

A iniciativa tem o patrocínio do governo senegalês, que vê a abertura de canais legais de imigração como uma alternativa digna ao sofrimento de milhares de africanos que arriscam suas vidas todos os anos tentando a travessia perigosa para a Europa.

Todo verão, a Itália e a Espanha enfrentam uma crise humanitária enquanto milhares de africanos tentam chegar às ilhas Canárias ou ao Sul da Europa.

A onda de imigração levou ao fracasso das leis marítimas, com Malta recusando-se a aceitar náufragos resgatados por navios pesqueiros.

Na semana passada, o governo espanhol negociou dia e noite com Malta e Líbia, depois que um barco de pesca de arrastão espanhol resgatou 25 náufragos imigrantes e um cadáver. Depois de três dias, o barco recebeu permissão para atracar em Trípoli. Diplomatas espanhóis temem que a crise humanitária piore, a não ser que o fluxo ilegal de imigrantes seja detido.

Depois de 18 meses de diplomacia, a Espanha acredita que menos africanos aparecerão em suas costas neste ano. O governo socialista de Madri abriu embaixadas em Mali, Níger, Sudão e Cabo Verde e planeja outras em Guiné Bissau e Guiné. Além disso, doou barcos e helicópteros para ajudar a Mauritânia e Senegal policiarem suas costas. A Espanha está financiando projetos de criação de empregos em países africanos e, mais importante, abriu canais legais de migração.

"Antes desta legislatura (que tomou posse em 2004), não tínhamos uma política para a África", disse Álvaro Iranzo, diretor geral para África, Mediterrâneo e Oriente Médio do Ministério de Relações Exteriores espanhol.

A Espanha não tinha os laços comerciais que a França tem com a África Ocidental e não era grande doadora como o Reino Unido. Entretanto, Iranzo acredita que seu país está construindo uma relação de confiança com a África, sendo pioneira em uma "abordagem moderna e ampla da imigração".

"Não queremos criminalizar o imigrante ilegal", disse Iranzo. "O que estamos tentando fazer é conquistar a cooperação dos países de origem e de trânsito para encontrar soluções em que todos se beneficiem. O desafio requer uma abordagem multilateral."

Abdoulaye Wade, presidente do Senegal, acatou o modelo como uma alternativa à posição adotada pela França, que reprimiu a imigração ilegal.

A Espanha está tentando persuadir a União Européia a adotar uma política de imigração comum para a África, mas as diferenças persistem. Alguns países criticam a anistia dada pela Espanha aos imigrantes ilegais há dois anos. Outros não querem se tornar trampolins.

"A Europa envolveu-se mais no desenvolvimento da África, criando empregos no continente, mas também fornecendo canais legais de migração", disse Iranzo. Deborah Weinberg

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