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23/06/2007

Iraque restabelece acordo feito por Saddam Hussein com a China

Financial Times
De Jamil Anderlini, em Pequim (China)
e Steve Negus, correspondente no Iraque
Bagdá restabeleceu um contrato assinado pelo governo de Saddam Hussein permitindo que uma companhia petrolífera estatal chinesa explore um campo de petróleo iraquiano, disse ao "Financial Times" na sexta-feira 22, em Pequim, o ministro iraquiano do Petróleo.

Hussein al-Shahristani também afirmou que Bagdá receberá com prazer propostas de companhias petrolíferas chinesas para que seja firmado qualquer outro contrato no Iraque por meio de "um processo de licitação justo e transparente" a ser detalhado na nova legislação do petróleo que está sendo discutida pelo parlamento iraquiano.

A China National Petroleum Corporation, a maior companhia petrolífera do país e proprietária do grupo Petrochina, listado no mercado de ações, firmou um contrato com o Iraque em 1997 para explorar o campo de petróleo al-Ahdab.

O campo é um dos primeiros a ser oferecido a investidores estrangeiros desde a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003.

O Iraque vinha relutando em restabelecer contratos da era Saddam, mas parece ter se voltado para a China porque os problemas de segurança e as incertezas quanto às leis iraquianas de investimento afugentaram outros investidores.

Antes da guerra o campo de petróleo tinha uma capacidade estimada de 90 mil barris diários, e o contrato firmado em 1997 tinha o valor aproximado de US$ 1,2 bilhão.

"O contrato com o governo anterior ainda está em vigor -ele foi assinado e nós o honraremos", afirmou al-Shahristani. "Temos conversado desde que visitei a China, oito meses atrás, e os chineses acabaram de apresentar uma proposta revisada para atender às novas exigências técnicas para a exploração de campos de petróleo elaboradas pelo governo iraquiano".

Ele disse que ainda existem alguns detalhes técnicos a serem resolvidos, mas afirmou que as duas partes darão início à discussão dos detalhes comerciais e financeiros "dentro de um mês". Segundo al-Shahristani, ainda é muito cedo para estabelecer um valor em dólares para o contrato revisado.

Diplomatas norte-americanos em Pequim disseram não ter conhecimento de que o acordo foi restabelecido.

A decisão quanto à retomada do contrato foi feita durante uma visita de uma semana do presidente iraquiano Jalal Talabani à China no mês passado. Talabani se reuniu com o presidente Hu Jintao e com o premiê Wen Jiabao, e assinou vários acordos relativos à venda de petróleo, comércio, educação e intercâmbio cultural. Durante a sua visita, a China informou que cancelará uma "grande parcela" da dívida iraquiana, embora não tenha sido apresentada nenhuma cifra específica. Talabani teria dito antes da visita que a parcela da dívida perdoada seria de provavelmente US$ 8 bilhões.

Funcionários da refinaria estatal chinesa Sinochem disseram que a companhia não tem planos para investir no Iraque e que está aguardando que o novo projeto de lei iraquiano sobre o petróleo seja transformado em lei.

"Os iraquianos nos disseram que seremos capazes de concorrer em um sistema aberto e transparente de licitações previsto pela nova estrutura legal", disse um funcionário de alto escalão da Sinochem. "Essa lei será muito importante".

A legislação que determinará como serão feitos os investimentos no setor petrolífero vem sendo discutida há mais de um ano. Ainda não se chegou a um consenso devido às discórdias entre o governo federal e a região autônoma curda, no norte do país, a respeito do grau de centralização do controle sobre estas reservas. UOL

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