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25/06/2007

Críticos aumentam protestos enquanto Chávez marca seu gol

Financial Times
Benedict Mander
em Caracas
No momento em que a Venezuela se torna o centro das atenções a partir desta segunda-feira (25) ao receber pela primeira vez a Copa América, o presidente Hugo Chávez está ávido para que a atenção mundial permaneça firmemente concentrada no principal torneio internacional de futebol de seleções da América do Sul.

Mas um movimento estudantil e outros grupos de oposição ameaçam desviar a atenção, mantendo as manifestações pró-direitos civis, que estão em andamento desde que a rede de televisão RCTV, apoiada pela oposição, foi retirada do ar há um mês. Chávez se recusou a renovar a licença da rede após acusá-la de apoiar um golpe fracassado contra ele em 2002.

Jorge Adorno / Reuters 
Ao lado de cartaz de Chávez, soldado joga bola durante treino da Argentina em Maracaibo

Sua ação lhe custou um grande terreno político. As amplas críticas tanto em casa quanto no exterior deixaram Chávez mais fraco do que em dezembro passado, quando 62% dos eleitores votaram nele.

"Nosso maior feito tem sido reviver as esperanças das pessoas", disse Yon Goicoechea, um dos líderes do movimento estudantil, que disse que sua meta básica é fortalecer a democracia e as instituições.

"Nossa insatisfação com o que está acontecendo na Venezuela está fermentando há anos, mas o estopim foi o fechamento da RCTV", disse.

Michael Penfold, um cientista político de Caracas, disse que a ascensão do movimento estudantil mostra que Chávez julgou mal o desejo da população. "As pessoas votaram por um presidente populista mas ele está lhes dando uma forte dose de socialismo e isto está causando um séria reação negativa", disse. "Dificilmente será o fim de Chávez, mas significa o início de um novo movimento político de oposição, assim como a conscientização da sociedade de sua verdadeira agenda política, que agora está sendo revelada -e ela não é popular."

Ele cita as recentes sondagens que mostram que 80% dos entrevistados
queriam que a licença da rede de televisão mais popular da Venezuela fosse renovada. Os planos de reforma constitucional de Chávez foram rejeitados por 60%; as reformas lhe permitiriam um número ilimitado de reeleições.

Todavia, o presidente -que desdenhou os estudantes manifestantes como "peões do imperialismo" e "bucha de canhão" dos grupos de oposição- disse no sábado (23) que 80% dos que votaram nele em dezembro do ano passado se registraram para ingressar no recém-formado Partido Socialista Unido da Venezuela.

Miguel Ángel Contreras, um sociólogo da Universidade Central da Venezuela, disse que um "campo intermediário" está se abrindo. Ele acredita que a intensa polarização na política venezuelana permanecerá por enquanto. "Mas nós estamos em um ponto em que novos líderes, novos debates, estão surgindo. As coisas estão maduras para mudança e foram os estudantes que provocaram isto."

Luis Tascón, um deputado pró-Chávez na assembléia nacional, disse: "É claro que esperávamos uma reação forte. Com uma organização histórica como a RCTV, é natural que ocorram protestos."

Ele disse que, apesar de as manifestações serem organizadas pelos mesmos líderes de campanhas anteriores de oposição -uma argumentação contestada pelos estudantes-, elas não são tão amplas como a greve do petróleo de 2002 e 2003 ou as exigências de um referendo sobre o presidente em 2004. "Como antes", disse, "em vez de perder terreno, Chávez e o processo revolucionário acabarão vencendo." George El Khouri Andolfato

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