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28/06/2007

PDVSA carrega a revolução de Chávez

Financial Times
Benedict Mander
Em Caracas
A "Revolução Bolivariana" do presidente Hugo Chávez não teria ido muito longe se não fosse pela sua habilidade em tirar proveito dos vastos recursos da companhia petrolífera estatal da Venezuela, a PDVSA.

O grupo, que responde por um terço do produto interno bruto e pela metade dos rendimentos do governo, é a peça fundamental do desempenho econômico da Venezuela, sendo a maior exportadora de petróleo do hemisfério ocidental. E a sua importância está aumentando.

Na última terça-feira, a PDVSA quase dobrou a sua participação, de uma média de 40% para a porcentagem inesperadamente alta de 78%, em quatro grandes projetos petrolíferos no valor total de pelo menos US$ 25 bilhões no Cinturão do Orinoco, que contém as maiores reservas de petróleo pesado do mundo.

A ConocoPhillips e a ExxonMobil anunciaram que se retirarão do país após terem aparentemente se recusado a concordar com os novos termos relativos à sua participação na Venezuela. Esse fato implicará em um fardo ainda maior para a PDVSA, cujos recursos financeiros e humanos já estariam chegando ao limite. "Será mais caro para nós romper com as companhias e buscar novos parceiros", afirma Mario Isea, presidente da comissão de hidrocarbonetos da Assembléia Nacional Venezuelana.

As negociações devem continuar por algum tempo com as companhias restantes - Chevron, Total, BP e Statoil -, já que elas dizem respeito a questões complexas, incluindo as novas estruturas de governança e compensações pela redução das fatias das companhias no mercado petrolífero venezuelano.

Os analistas temem que a transição do controle dos projetos do Orinoco possa levar a grandes problemas. "Não existe nenhuma possibilidade de uma grande queda da produção, embora possa haver uma ligeira redução no curto prazo", afirma Isea.

Outras pessoas questionam se os limitados recursos humanos e financeiros da PDVSA são suficientes para que a empresa lide com os múltiplos projetos com os quais está comprometida, e que não se restringem ao setor petrolífero.

Existe o temor de que o uso da riqueza petrolífera para bancar a introdução daquilo que Chávez chama de "o socialismo do século 21" na Venezuela tenha impedido a PDVSA de investir em exploração e desenvolvimento.

As receitas mais do que dobraram na última década em valores reais devido ao aumento dos preços do petróleo, mas a produção da PDVSA caiu 16% desde 2001, afirma a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Os fundos da PDVSA canalizados para programas sociais quase dobraram em 2006, chegando a US$ 13,3 bilhões, enquanto o consumo doméstico de petróleo altamente subsidiado custa cerca de US$ 9 bilhões por ano.

"Não gosto deste sistema no qual o ministro da Energia é também presidente da PDVSA", critica Luis Lander, um acadêmico de esquerda que leciona na Universidade Central da Venezuela.

Ele teme que a PDVSA se torne excessivamente politizada. "Há sinais de que a PDVSA está se envolvendo com muitas coisas que não tem nada a ver com petróleo", diz ele, ainda que seja a favor do uso da riqueza petrolífera da Venezuela para estimular outros setores da economia.

Embora a PDVSA aceite a necessidade dos investimentos estrangeiro para concretizar os seus planos, que incluem a duplicação da produção de petróleo para quase seis milhões de barris diários até 2012, nem as companhias estrangeiras nem a PDVSA estão investindo de acordo com o cronograma, adverte Mazhar al-Shereidah, um dos principais especialistas em energia da Venezuela.

Números-chave:
  • Volume de negócios em 2006: US$ 55,1 bilhões.
  • Gastos em 2006: US$ 58,2 bilhões.
  • Número de funcionários: 33 mil. UOL
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